Poluição ambiental provocada pelos automóveis

Os transportes públicos são uma das grandes fontes de poluição.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) 92% das pessoas em todo o mundo não respiram ar limpo.

Qual é a poluição ambiental provocada pelos automóveis? É relevante em relação à poluição total? Saiba mais sobre este tema.

Entende-se como poluição do ar a introdução de qualquer substância que, devido a sua concentração, possa ser, ou se tornar, nociva à saúde e ao meio ambiente. Por vezes é designada como poluição atmosférica. Independentemente do nome todos referem-se à contaminação do ar por gases, partículas em suspensão, quer estejam no estado líquido ou sólido ou até material biológico.

Assim, concluímos que a poluição do ar é causada de duas formas, natural ou derivada da atividade humana. O primeiro tipo, como o próprio nome indica, envolve tudo o que tem origem na natureza como por exemplo, poeiras das áreas desérticas, fumo e monóxido de carbono lançado pelas queimadas naturais, metano emitido no processo de digestão dos animais, decomposição de matéria orgânica.

Convém não esquecer a atividade dos vulcões, uma fonte enorme de vários poluentes como o dióxido de carbono e enxofre, entre muitos outros. A poluição que resulta da atividade humana, é originada por veículos com motor, desde motas, passando por carros, aviões, comboios ou navios. Pode ser provocada por aerossóis, como tintas ou sprays. Ou ainda pela decomposição de resíduos orgânicos, que dão origem a metano. Mas não podemos esquecer as fábricas e incineradoras, pois algumas destas utilizam combustíveis fósseis.

Então temos a ONU a estimar que a poluição do ar custa à economia global 5 bilhões de dólares ($5.000.000.000.000). Já agora, e como curiosidade, a poluição do solo por ozono prevê-se que reduza os rendimentos agrícolas em 26% até 2030.

A poluição ambiental é recente?

Ao contrário do que alguns julgam a poluição ambiental, mais concretamente do ar, já existe desde a antiguidade. Pois quando as pessoas queimavam madeira provocavam poluição. Porém, a Revolução Industrial ampliou os efeitos sobre a qualidade do ar, já que a intensidade da combustão de carvão aumentou de forma absurda no século XIX, principalmente na Grã-Bretanha.

A queima de carvão mineral despejava toneladas de poluição atmosférica, causando danos à população, que sofria de doenças respiratórias, responsáveis por milhares de mortes na época. Todos os países que desenvolveram a sua indústria nessa época tiveram os mesmos problemas. Similharmente na India, devido ao domínio da Inglaterra, muitas indústrias altamente poluentes foram construídas nessa antiga colónia.

Policia escolta autocarro através do “smog” de Londres, em 1952.

Mais recentemente, em 1952, devido à poluição particulada e aos compostos de enxofre liberados pelas indústrias em Londres, conjugadas com as péssimas condições climáticas que contribuíram para a não dispersão dessa poluição, cerca de quatro mil pessoas morreram por problemas respiratórios no período de uma semana. Nos meses seguintes ao que ficou conhecido como Big Smoke, mais de oito mil pessoas morreram e cerca de outros 100 mil ficaram doentes.

Poluição ambiental provocada pelos automóveis

Já pensou no impacto que o seu automóvel tem no ambiente? Quando adquiriu o seu veículo ponderou qual o peso da pegada ecológica? Já deu por si a questionar-se se um carro híbrido, ou elétrico, não seria uma melhor forma de usar os recursos naturais para as suas deslocações?

A poluição ambiental provocada pelos automóveis geralmente não é só sentida quando conduzimos. Se estivermos no passeio duma rua movimentada aí já “sentimos mais”. Mas a própria produção dos automóveis consome muita energia e produz muita poluição. Antes de conduzir o seu carro pela primeira vez já foram extraídos minerais nas minas para a produção de todo o veículo. Foi extraído petróleo e usados produtos químicos para criar plásticos, borrachas e tintas.

Qual o impacto da poluição ambiental na saúde humana

Qual o impacto real da poluição ambiental nas nossas vidas? A poluição do ar pode afetar a nossa saúde de imensas maneiras. Veja se já sentiu algum destes sintomas quando circula junto de fontes emissoras de poluição:
– Irritação na garganta;
– Ardor nos olhos;
– Irritação no nariz;
– Dificuldades em respirar;
– Tosse.

Se sim, saiba que estas reações podem ser sintomáticas do nível de poluição a que está sujeito. Mais, a exposição continuada à poluição do ar pode levar aos seguintes problemas de saúde:
– Desenvolvimento de problemas respiratórios;
– Agravamento de problemas respiratórios já existentes (alergias ou asma);
– Diminuição da capacidade pulmonar;
– Agravamento de problemas cardíacos.

Qual o impacto no meio ambiente

Convém perceber que os problemas da poluição do ar vão além dos problemas somente de saúde. O impacto no meio ambiente é também muito grande, a natureza também “adoece”. Entre os maiores problemas destacam-se:

Efeito estufa: Os gases que provocam o efeito de estufa são na verdade responsáveis por estabilizar a temperatura da Terra. Contudo, o aumento considerável da emissão destes gases poluentes está a produzir um acentuado aquecimento em todo o globo. Gerando um aumento da temperatura média, com as consequências que prevêem-se catastróficas. Com o aumento do nível médio do mar e as consequentes inundações das zonas costeiras mais baixas.

Diminuição da camada de ozono: a famosa camada de ozono é responsável por proteger o planeta da emissão de raios ultravioletas. Estes raios são muito nocivos. Para os humanos, por exemplo, exponencia o risco de desenvolver cancro de pele.

Chuvas ácidas: origina a acidificação da água, que provoca a morte da vida marítima, em rios, riachos, lagos e nos oceanos. Nas florestas, danifica as árvores e diminui a fertilidade dos solos. As cidades não são imunes a este fenómeno, pois a acidez das águas amplia a corrosão de prédios, pontes, estátuas e outras estruturas de mobiliário urbano.

Lagoa Eutrofizada no Brasil, em Xique-Xique, onde se constata o crescimento excessivo de plantas aquáticas.

Eutrofização: este evento ocorre com o aumento da quantidade de nutrientes e, ou da matéria orgânica, num ecossistema aquático. Provocando um maior desenvolvimento das formas mais simples de vida como as algas a um ritmo elevado, levando à diminuição do volume total do ecossistema.

Escurecimento da atmosfera: a poluição do ar faz com que a claridade e a visibilidade sejam reduzidas por motivos óbvios.

A importância da renovação da frota e as normas anti-poluição

A norma Euro 3 veio restringir as emissões poluentes. É considerada como o mínimo nas zonas denominadas de ZER em diversas cidades pela Europa, incluídos Portugal. Mas esta norma “revolucionária” entrou em vigor em 2001. A norma ditava que os carros com motor a gasolina podiam emitiam 0,15 gramas de CO2 por quilómetro e os Diesel 0,5 gramas.

Hoje em dia, carros a gasolina e Diesel têm limites máximos de 0,06 e 0,08 gramas por quilómetro, respetivamente. Uma redução de 60% nos motores a gasolina e de 84% nos Diesel, enquanto as partículas, que podem ser um perigo para a saúde humana, não podem ultrapassar os cinco miligramas por quilómetro. Até 2011 não havia nenhum controlo sobre o limite de partículas que os motores emitiam, aí surgiu a norma Euro 5.

Porém o parque automóvel está a envelhecer. Em 2003, a idade média do parque automóvel era de 7,7 anos. Mas em 2013 era de 10,4, e em 2016 era de 11. Isto para a Europa, pois em Portugal o nosso parque automóvel é mais velho, com uma média de 12,8 anos. Assim, metade do parque automóvel ainda está no Euro 3, ou pior. Por isso os veículos a gasolina são 2,5 vezes mais poluentes que os novos modelos. Enquanto os Diesel mais antigos em circulação são 6,25 vezes mais poluentes.

A solução parece simples, trocar de veículos para modelos novos, porém o poder de compra está a sofrer uma degradação acentuada que impede que a maioria das famílias o consiga fazer. Muitas das “antiguidades” ficam em circulação regular por muitos anos… mais que os aconselhados! Também porque em algumas zonas os transportes públicos não permitem que as pessoas se desloquem para o destino pretendido, ou em horários convenientes. A solução terá que ser integral.

Curiosidades sobre a poluição

Sabia que um litro de gasolina pesa cerca de 0,8 kg, porém quando é queimado, o carbono que contém combina-se com o oxigênio atmosférico e produz cerca de 8.5 kg de CO2. A poluição gerada pelos veículos de uma família com mais do que um automóvel é, geralmente, superior à poluição gerada pela sua utilização de energia, produção de resíduos e outras atividades domésticas normais.

O aumento da densidade de tráfego também contribui negativamente para o avolumar do problema. Em 1996 entravam na cidade de Lisboa cerca de 300 mil veículos por dia, o que significa um acréscimo de aproximadamente de 6.5% em relação a 1980. Atualmente entram em Lisboa 370.000 carros, um aumento de 23,3%.

Hoje, diariamente, circulam 500.000 veículos em Lisboa. Estes naturalmente são representativos do parque automóvel português. Com os tais veículos mais poluentes entre eles e com o acumular das emissões nas ruas da capital portuguesa. Se 10% dessa população utilizasse os transportes públicos, as emissões baixariam 7 301 toneladas de monóxido de carbono, 120 toneladas de óxidos de azoto e 45 913 toneladas de dióxido de carbono, por ano.

Mundialmente são cerca de 500 milhões de veículos que circulam diariamente. Emitindo aproximadamente de 4 biliões de toneladas de dióxido de carbono. Este número representa 20% do total das emissões antropogénicas de NO2. Como curiosidade estima-se que existam 2 mil milhões de veículos em todo o mundo no ano 2030.

Poluição e mortes

Quatro milhões de crianças, anualmente e em todo o mundo, desenvolvem asma devido a causas atribuídas á poluição automóvel. Quem o apurou foi o Instituto de Saúde Pública da Universidade George Washington. Destas, 3.200 são crianças portuguesas.

De fato em Portugal a poluição do ar, por partículas finas e outros poluentes, provoca cerca de 15 mil mortes por ano. Os especialistas alertam especialmente quem tenha sido diagnosticado com doença cardiovascular deve evitar lugares onde os níveis de poluição são elevados.

Mas quando quem tem esses problemas reside ou trabalha junto desses focos de poluição. Por exemplo, ruas ou eixos rodoviários mais poluídos, ou em locais de trabalho insalubres. Aí a solução já se torna mais complicada.

Outros “vilões”

Cerca de 90% das emissões de amoníaco e 80% das emissões de metano resultam das atividades agrícolas. Os resíduos, depositados em aterros, assim como a extração mineira são grandes fontes de metano. Cerca de 60% dos óxidos de enxofre resultam da produção e distribuição de energia.

Os incêndios florestais, naturais ou provocados, libertam nuvens de pouição nociva para o meio ambiente.

Finalmente, muitos dos fenómenos naturais, por exemplo erupções vulcânicas (tão faladas nestes dias) ou tempestades de areia, libertam diversos poluentes na atmosfera. Outro fenómeno altamente poluente são os incêndios, independentemente da sua origem ou natureza provocam imensa poluição.

As espécies que não se adaptam morrem e as que não evoluem são deixadas para trás de forma natural. As alterações das condições do planeta são ainda passíveis de serem estabilizadas, entenda-se, de forma que a vida humana seja sustentável. Resta saber se daremos o passo necessário a tempo para que tal aconteça.

Agora que já tem noção do impacto que o seu automóvel, na saúde e no meio ambiente, talvez perceba melhor a urgência de mudar o que tem sido o normal até à data. É altura de pensar, refletir, ponderar e exigir melhores escolhas. Carros (um pouco mais) ecológicos já são uma coisa do presente e não de um futuro distante, por isso pense nestas alternativas e evite a poluição provocado pelo diesel e gasolina.

A conjugação da poluição “natural” e da atividade humana realmente provoca imensos problemas para a “saúde” do meio ambiente. Mas não só, pois a natureza equilibra-se espontaneamente, a bem ou a mal. Assim, será a compra de um “automóvel ecológico” a melhor solução? Pode não ser o ideal, mas é “grão a grão que a galinha enche o papo”.

Fotos | El Telégrafo, Flickr, Wikipédia, National Park Service