Trajetos longos: deveríamos ser obrigados a descansar?

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Já referimos, noutras ocasiões, os gravíssimos efeitos que o cansaço pode ter em nós quando vamos ao volante. É necessário parar para descansar e esticar as pernas. Cada vez são mais comuns os sistemas tecnológicos que nos avisam em caso de perigo, mas por vezes insistimos em continuar a conduzir. Devemos ir mais além?

A fadiga e o cansaço, um problema para todos os condutores

Há duas consequências fundamentais de circular durante muitas horas seguidas: a sobrecarga mental, consequência de estarem permanente estado de alerta e que faz com que a nossa atenção ao trânsito diminua e a sobrecarga física, por permanecer na mesma posição durante muito tempo. Isto pode provocar o adormecimento de algumas partes do nosso corpo.

Como resultado, podemos perder cerca de 23% do nosso rendimento após quatro horas seguidas de viagem e até 60% após oito horas sem parar. Isto traduz-se num tempo reação que pode duplicar, algo que na estrada pode mesmo ser fatal: 66 metros a 120km/h antes de pisar o travão.

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Todos estes riscos se multiplicam quando estamos a falar de condutores profissionais, como os distribuidores, motoristas de camião ou de autocarro. Trata-se de um perfil especialmente vulnerável aos efeitos do cansaço devidos às dificuldades próprias do seu trabalho: estilo de vida sedentário, períodos de descanso irregulares, maus hábitos alimentares e situações de stress pela obrigação de cumprir prazos de entrega.

No caso dos profissionais que conduzem camiões, a situação complica-se: podem realizar jornadas semanais de até quase 80 horas, que se prolongam durante o fim-de-semana, e muitas delas em horário noturno. Desta forma, a fadiga é um fator que se encontra presente em 20% das colisões no transporte comercial por estrada; motivo pelo qual há regulação especial para as jornadas de trabalho destes profissionais.

Tecnologia que nos avisa dos sintomas do cansaço

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Já há muito tempo que no Circula Seguro falamos das primeiras tecnologias que ajudavam ao condutor perante os efeitos da fadiga. Estes sistemas centravam-se na estrada e na trajetória do veículo e avisavam caso o veículo saísse da faixa ou se circulasse aos esses. Posteriormente chegariam os mais complexos centrados em detetar os sintomas no próprio condutor e que contavam com sensores de pressão no volante ou câmaras com reconhecimento facial. Estes sistemas já estão presentes em todas as marcas do mercado e a União Europeia quer que se incluam de série em todos os novos veículos.

Para tal, continua-se a trabalhar na melhoria da fiabilidade destes sistemas, mas também para aumentar as suas funções. A Universidade de Valência desenvolveu uma solução que iria além do reconhecimento facial e incluiria sensores para medir a pressão do condutor no volante, a sua temperatura corporal ou a posição da cabeça (para evitar as temidas cabeçadas). Um sistema de inteligência artificial avaliaria o conjunto de todas as métricas para perceber se existiria ou não na realidade uma situação de fadiga.

Obrigar-nos a descansar, é possível?

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Um dos cenários que mais se teme é que, precisamente por contarem com estas ajudas, os condutores façam menos caso dos próprios sintomas e insista em conduzir sob efeito da fadiga. É uma possibilidade, já que se produz no coletivo dos condutores de transporte rodoviário, pelo que a sua profissão se viu cada vez mais regulada com o passar dos anos. Assim, têm estipuladas horas de descanso obrigatórias.

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Mas além do efeito dissuasor das multas, todos estes sistemas não impedem realmente que um condutor possa circular horas e horas sem realizar qualquer descanso. Atualmente, alguns modelos de veículos apenas o sugerem com o símbolo de uma chávena de café no painel. Quanto muito, sistemas como o Safety Sense da Toyota, que podem chegar a parar o carro caso percamos o controlo. Mas será exequível sistemas que bloqueiam o carro existam nos próximos anos?

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Fonte: www.CirculaSeguro.com