Violência rodoviária, uma preocupação que se mantém elevada

Miguel Alves

13 May, 2020

“Você é maluco? Saia do carro se tiver coragem!”. Este género de pérolas costuma ouvir-se no trânsito. Todos conhecemos episódios destes e das pessoas que, ao volante, se transformam radicalmente, expressando agressividade em relação a outros utilizadores e conduzindo de forma imprudente. A violência nas estradas manifesta-se de maneiras diferentes, mas em qualquer uma de suas formas, torna o trânsito rodoviário um risco absoluto.

Por que somos agressivos ao volante?

Em disputas com outros condutores ou peões, a buzinar ou a guiar a velocidades excessivas, a violência nas estradas reflete o excesso de egocentrismo de muitos motoristas. Mas por que é que o automóvel e o trânsito trazem o pior de nós?

Por um lado, conduzir parece ser uma expressão das nossas capacidades ou habilidades como seres humanos. Guiar bem ou mal é uma circunstância exposta ao julgamento de alguém. Além disso, em muitos casos, denota conotações sobre a reafirmação da masculinidade e do egoísmo que levam a expressões machistas.

A violência nas estradas também é uma consequência de uma sociedade invadida pelo stress diário, uma doença que afeta indivíduos e que gera ansiedade ou frustração. As razões para a agressividade sobre rodas são díspares, mas o comum é as pessoas entenderem que a culpa é sempre dos outros, deixando pouco espaço para a autocrítica.

A condução agressiva multiplica por 10 o risco de sofrer um acidente

O estudo “Influência da agressividade em acidentes de trânsito”, elaborado pelo Instituto Universitário de Pesquisa em Tráfego e Segurança Rodoviária da Universidade de Valência (INTRAS), sustenta que conduzir adotando este tipo de atitudes provocativas multiplica por 10 o risco de se sofrer um acidente com vítimas e faz crescer para 30 o risco de se sofrer um acidente com ferimentos graves.

Não é apenas uma falta de civismo, mas um perigo para todos.

Por seu lado, a Organização Mundial de Saúde indicou que a cada ano mais de 1.300.000 pessoas morrem como resultado de acidentes de trânsito e mais de 50 milhões de pessoas sofrem trauma, o que significa que a sinistralidade rodoviária é um dos problemas de saúde pública mais graves em todo o mundo.

O estudo da INTRAS destaca que quase 300.000 motoristas muito agressivos admitem ter-se envolvido em acidentes desse tipo nos últimos cinco anos. Pode, portanto, estabelecer-se uma ligação direta, considerando-se a violência nas estradas como a primeira causa de morte violenta no mundo, gerando mais vítimas e famílias afetadas do que as próprias guerras e muito mais que os ataques terroristas.

Especialmente entre os jovens entre 18 e 30 anos, é a principal causa de morte no mundo.

De que maneira a violência ao volante se manifesta?

A violência nas estradas responde a causas muito variadas e expressa-se de maneiras muito diferentes, mas o perfil ao qual responde é muito específico. Normalmente estamos a falar de jovens, homens e adultos instruídos que vivem em grandes centros urbanos. Esse condutor reage com mais veemência e esgota a sua paciência contra mulheres e condutores principiantes mais cedo.

Por região, os automobilistas que residem em grandes capitais provinciais confessam uma maior impaciência e irascibilidade ao volante. Isso será causado por stress, pela maior densidade de tráfego e pelas inúmeras horas de trabalho.

Podemos encontrar manifestações agressivas nas estradas nas acelerações súbitas e arriscadas, entrada e saída rápidas da estrada, buzinadelas excessivas, desrespeito da distância de segurança e formação de engarrafamentos devido a veículos que bloqueiam acessos à estrada. A velocidade excessiva é outra forma de agressividade que coloca não apenas o condutor em risco, mas também outros utentes da via.

Há também uma violência mais explícita nas estradas, com gestos obscenos, ameaças e explosões verbais, agressões físicas em relação a outro veículo, ameaças com armas de fogo ou perseguição para se vingar de outras pessoas.

Guiar de maneira violenta, agressiva ou intimidadora é uma maneira errada de evasão e escape, através da qual se tenta o autoalívio pessoal, a auto-afirmação e a necessidade de dar lições a outras pessoas que podem ter consequências muito mais graves do que aquelas nós acreditamos. Ao volante, é importante responsabilidade e civismo.

Imagem: Max Pixels

--

Uma iniciativa da: