Abasteceu o combustível errado. E agora?

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Abastecer de gasóleo um motor a gasolina pode ter consequências mais graves do que abastecer de gasolina um motor Diesel. Sabia? O Circula Seguro vai deixar-lhe algumas explicações sobre o tema, uma vez que é mais comum do que imaginamos. Esta situação está entre as 10 avarias mais comuns que ocorrem nos carros modernos.

Colocar gasóleo num motor a gasolina traz consequências danosas, principalmente ao nível do bloco, da cabeça do motor e dos pistons… Por outro lado, colocar gasolina num motor a gasóleo pode gerar problemas no sistema de injeção a médio prazo, principalmente nos motores a gasóleo modernos dotados de sistemas “common-rail” muito evoluídos ou injetores-bomba. Já existem automóveis cujo bocal do depósito está feito de forma a permitir a colocação das mangueiras corretas, como os modelos da Ford que incluem um sistema de proteção como este. Ainda assim o erro acontece!

Se abasteceu gasóleo num motor a gasolina…

… e deu conta a tempo! Abasteceu pouca gasolina, menos de dois litros, então não arranque o motor. Vai ser preciso vazar o depósito. Alguns modelos têm uma forma de o fazer: por baixo do depósito se souber onde está o orifício da purga, ainda que tal não seja aconselhável.

Não tente retirar o combustível com um tubo através da boca de abastecimento, pois os automóveis modernos têm um sistema de segurança que vai impedi-lo de o fazer. Será sempre uma operação complexa, por isso o melhor é chamar o reboque…

Se deu à chave e arrancou o motor ainda que por um só instante, sem que o combustível tenha percorrido todo o circuito, terá de substituir os filtros e limpar as condutas de alimentação até aos injetores, tarefa que poderá custar cerca de 300 euros. Não notará qualquer falha imediata no motor, apenas a médio/longo prazo.

Se colocou o motor a trabalhar e arrancou com o veículo, não demorará a sentir que o carro “falha”. Pare de imediato o carro e chame o reboque. Se continuar a circular, a avaria pode tornar-se muito grave. A chegada do gasóleo ao cilindro do motor pode, literalmente, danificar tudo.
Num motor Diesel só se comprime ar no interior do cilindro e, no último momento, é injetado um pouco de gasóleo. Quando o ar entra em contacto com o gasóleo produz-se uma explosão devido à pressão. Num motor a gasolina, a mistura de ar e combustível comprime-se no cilindro logo no início do ciclo, e não explode até ao momento em que é produzida a faísca pela vela.

Por isso, se chega gasóleo ao invés de gasolina, à medida que se vai comprimindo a mistura e vai aumentando a pressão, sobe também a temperatura da mistura e esta explode antes de tempo. Quando salta a faísca da vela é produzida uma nova explosão… então o motor suporta mais detonações que as previstas, o que acaba por produzir roturas junto da câmara de compressão, para além de uma subida exagerada da temperatura do motor. Esta situação pode ainda danificar o catalisador e o filtro de partículas… uma “brincadeira” que pode ter um custo total a rondar os 3000 euros.

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E se abasteceu gasolina num motor Diesel?

Se o seu carro possuir um sistema de injeção tradicional, sem sistema “common-rail” ou injetor-bomba (mais ou menos 90% dos carros anteriores ao ano 2000) e não colocou demasiada gasolina (10 a 15% da capacidade) do depósito, encha o resto do depósito com gasóleo e continue viagem. Se abasteceu muitos litros de gasolina, o caso muda de figura e vai ser preciso vazar e limpar o depósito.

Se pôs o motor a trabalhar e deu início à marcha, o mais provável é começar a sentir solavancos e o ralenti instável. Logo nos primeiros quilómetros é provável que não sinta grandes falhas, mas poderá afetar o sistema de injeção com o avançar na estrada, já que a gasolina lubrifica menos que o gasóleo. Esta situação pode reduzir a vida útil dos injetores e da bomba de injeção em 50%… e a reparação pode ultrapassar os 2500 euros. Se o motor for posterior ao ano 2000, ou seja, equipado com sistema common-rail ou injetor-bomba, o melhor será chamar o reboque e levar o carro para a oficina…