Como carregam as baterias de um carro híbrido

Agora que se estão a popularizar de uma forma massiva, o funcionamento dos carros híbridos continua a suscitar dúvidas entre os utilizadores de veículos automóveis e os potenciais interessados na aquisição de um.

Ouvimos dizer que num híbrido as baterias carregam-se sozinhas, mas, como é que isso acontece?

Nos últimos meses temos visto muitos fabricantes a anunciarem os seus carros híbridos como modelos eletrificados cuja baterias se carregam sozinhas. Mas, como é que o fazem? Que tecnologia utilizam estes veículos para recarregar as suas baterias sem a necessidade de serem ligados à corrente?

Um motor elétrico com dupla função

O Circula Seguro vai tentar explicar o funcionamento do processo. Os veículos híbridos contam com um motor elétrico que pode atuar como um gerador. As baterias do veículo são recarregadas a partir deste gerador elétrico, que é acionado durante as travagens pela inércia ou ainda pelo motor térmico.

Os carros híbridos são capazes de recuperar cerca de 20% da energia que é desperdiçada durante as travagens por um automóvel convencional. Esta energia, que é acumulada na bateria é utilizada para o arranque, locomover-se a baixa velocidade ou dar apoio ao motor térmico durante as acelerações mais pronunciadas. Ao recuperar parte da energia cinética do veículo (a que tem origem na inércia), os híbridos são capazes de reduzir o seu consumo. Em condições estacionárias (ou seja, a velocidades constantes durante vários quilómetros), os híbridos não trazem grandes vantagens, pois praticamente não se fazem travagens prolongadas que se possam aproveitar para carregar as suas baterias.

Dois tipos de carros híbridos

De uma forma básica, o que escrevemos anteriormente é a explicação do que é um híbrido. Não obstante, convém fazer uma pequena distinção. Existem no mercado dois tipos de híbridos. Por um lado, temos os híbridos paralelos, que são aqueles que têm motor elétrico montado como continuação do motor térmico e antes da caixa de velocidades. Modelos como o Hyundai Ioniq, por exemplo, são híbridos paralelos. Nesta classe de híbridos, existe uma relação fixa entre o regime de rotação do motor térmico e o motor elétrico, e não existe a possibilidade de ajustar o regime do motor térmico de forma independente. A segunda classe de híbridos, são os híbridos em série. Tratam-se fundamentalmente de veículos como os Toyota e os Lexus. Estes híbridos incorporam motores geradores que carecem de caixa de velocidades. O seu funcionamento é mais complexo, mas o mais relevante é que dentro de certa margem, são capazes de ajustar o regime do motor térmico de forma independente da velocidade a que circulam. Este tipo de híbridos procura constantemente que o seu motor térmico funcione sempre perto do seu ponto de máxima eficiência. Por isso, neste tipo de veículos, quando o motor térmico arranca, normalmente é forçado a girar perto desse regime de eficiência máxima, produzindo um excesso de energia que é usado para carregar a bateria.

Ainda que esta gestão do motor a gasolina seja muito inteligente, compensa o facto de que, em situações de funcionamento estacionário a velocidade constante), um motor Diesel sempre funciona de forma mais eficiente que um veículo com motor a gasolina, por muito híbrido que seja. Por isso, gasta menos combustível e emite menos CO2. Obviamente, a afirmação anterior só é válida no caso de se tratarem de veículos comparáveis: logicamente, um Toyota Land Cruiser Diesel de 2,2 toneladas gasta mais que um Prius em cidade, em estrada e… na superficie lunar.

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