O que não se deve fazer na condução eficiente (1)

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Os condutores mais experientes têm os seus truques para poupar combustível fazendo condução eficiente, alguns não são válidos hoje em dia, e põem em risco a circulação. Uma coisa que tem que ficar clara desde JÁ, a condução eficiente tem que ser totalmente compatível com a condução segura.

No mundo anglo-saxónico a condução “a escudo” denomina-se “hypermilling”. Podem-se conseguir rendimentos altos conduzindo assim, porém sempre em segurança. A segurança está em primeiro lugar, a poupança em segundo.  Estes são alguns truques para poupar que estão contraindicados quer em relação à segurança, ou à eficiência por partir de um suposto erro:

Desligar o motor fica mais barato que ir em ponto morto

Os motores de injeção (desde meados de 90), a gasolina ou a diesel, controlam o fluxo de combustível necessário em cada momento, incluindo o fluxo zero. Os antigos carburadores deixavam passar gasolina devido à sucção provocada pelos cilindros em movimento. Com o carburador é certo que pode desligar o motor nas descidas…

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… mas é perigoso, pois pode eliminar a direção assistida (incluindo o bloqueio) e o servo-freio. Além disso, perdemos o travão do motor e os travões perdem força e precisão. Numa descida, NUNCA deve desligar o motor nem usar o ponto morto, o N da alavanca de velocidades.

Com exceção de alguns modelos que retêm menos para melhorar a suavidade, o consumo sem pisar o acelerador é 0 para velocidade superior a 20 Km/h e engatado. Se não acredita, comprove-o.

Apanhar o efeito de sução de outros veículos

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Desta técnica já falei num artigo anterior. Consome menos, mas perdemos a distância de segurança e baixamos a margem de reação, podemos colidir antes de ter tempo para pensar ao ver as luzes dos travões do veículo dianteiro. Esta técnica está completamente contraindicada.

O mesmo se aplica ao conduzir ao lado de um veículo grande nos casos de vento lateral. É perigoso circular em paralelo e incómodo para os restantes condutores. Quando se vê um pneu em tiras na estrada, é provavelmente de um camião. Não quero falar do “engraçado” em assistir ao rebentamento de um pneu em paralelo com um camião. Ele seguirá a direito, tu não.

Ralentí não, obrigado. Desligar sempre o motor

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Um motor que é desligado sistematicamente para evitar o ralentí reduz a sua vida útil pois o motor de arranque trabalha em excesso, além disso, os motores turbo-alimentados (qualquer diesel de hoje) perdem lubrificação e avariam rapidamente. Se a paragem for superior a um minuto, desligar o motor. O combustível poupado é superior ao que gasta para pôr o motor em marcha.

Os modelos “Stop & start” têm motores de arranque especiais, por isso eles “podem” e os outros não “devem”. Se a paragem for inferior a um minuto, a poupança é negativa.

Não usar o A/C para nada

Condução eficiente

Esta técnica é válida sempre que a temperatura do habitáculo seja razoável com as janelas fechadas, um excesso de temperatura provoca transtornos na atenção e é prejudicial. Se começamos a sentir calor, ligamos o A/C, na posição de menor consumo. Na velocidade de autoestrada o impacto no consumo é mínimo.
O que pode evitar é usar o “A/C auto” no inverno. Só deve usar o A/C no inverno quando os vidros se embaciam, para desumidificar o ar. Sempre e quando não passe disso, pode usar a ventilação normal.

Os vidros abertos não são um substituto do ar condicionado, aumenta a resistência aerodinâmica, o consumo e o ruído. Quando necessário usa-se, quando não, não se usa. Nas localidades pode ir com vidros abertos para prescindir do A/C, o impacto aerodinâmico é menor. Outra modalidade é a contrária, pôr o calor “a saco” para que o motor não desperdice energia. Pode servir se for de inverno, pomos o aquecimento mais forte e conduzimos com camisola mesmo que faça muito frio no exterior. Porém, a poupança não é muito grande, mais de 25-26º no habitáculo é perigoso.

Não usar o travão

A condução eficiente não fala de antecipação ou previsão de trânsito. Se não é necessário o travão, não deve usá-lo, porém poupar nas pastilhas é contraproducente do ponto de vista da segurança. A menos que não represente nenhum perigo, se tem que usar os travões, use. Nos modelos híbridos travar “é grátis”, pois a energia é recuperada pelas baterias, quando a travagem é suave. Obviamente sem travar é mais eficiente, porém diz-se, a segurança em primeiro.

Velocidade baixa

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Sempre e quando o trânsito o permita, podemos circular à velocidade legal ou mesmo menos (sem baixar dos 50% da velocidade genérica da via) para poupar combustível. Por exemplo, se vamos numa avenida sem trânsito, ir a 40 Km/h em vez de 50 Km/h, ou na autoestrada a 80-90 Km/h para trajetos pequenos. Não deve incomodar desnecessariamente, nem obrigar a ser ultrapassado. Na autoestrada, uma velocidade de 100 Km/h é boa para consumir pouco e não incomoda os outros condutores desde que a circulação o permita. Ir a 60 Km/h é legal, mesmo numa autoestrada deserta, mas pode vir alguém depressa, não compensa.

Não utilizar o regulador de velocidade

Limitador de velocidade

Este sistema é mais poupador do que um condutor humano em retas e descidas. Em retas mantém a velocidade, reduz as acelerações, poupando combustível. Em declives descendentes, quando o carro embala corta a injeção até 0l/100 Km. Em declives ascendentes para seguir a velocidade programa aumenta o consumo. A forma mais eficiente de fazer uma subida, se queremos gastar o mínimo, será acelerar de forma a que percamos 1 Km/h à razão de uns metros. Por exemplo, se iniciamos a subida a 120 Km/h e chegamos ao cimo entre 100-110 Km/h. Olho, respeitar sempre os restantes condutores, é essencial. Em geral, os reguladores de velocidade poupam mais combustível se existirem poucos desníveis na via.

Utilizar combustível mais barato

Um dos mais típicos truques é deitar gasóleo de aquecimento no carro. Se a distinção é feita, é por alguma razão. Para várias pessoas isso pode dar bom resultado, mas a longo prazo avariamos a injeção ou mesmo o motor. Além disso, em algumas estações de serviço quando nos fornecem combustível muito barato poderemos duvidar da pureza deste. Se fizermos menos quilómetros por depósito atestando em algumas estações de serviço já sabemos o que se passa, à que procurar outra.

Velocidade constante

Se vamos numa estrada com rotundas, podemos poupar algumas gotas se em vez de entrarmos a 40 Km/h entrarmos nesta a 60-70 Km/h, se não houver trânsito e o raio da rotunda o permitir. Não é recomendável, além disso, o esforço excessivo dos pneus pelas acelerações laterais reduzem-lhes a sua vida útil.

Encher em excesso os pneumáticos

Condução eficiente

É importante ter os pneus com uma pressão adequada, é certo, mas também acima. Se queremos baixar o consumo podemos adicionar 100g de ar ou quanto muito 200, renunciando a alguma comodidade para diminuir a resistência da roda. Se enchermos de mais, o pneu deforma-se como o das motocicletas, desgastando mais a faixa central do que as faixas laterais. Isto pode levar a furos, rebentamentos ou perda de prestação dos pneus (tração, travagem, lençóis de água…). Não se recomenda.