A segurança também passa pelos pés

A segurança também passa pelos pés_pés bem cuidados

O pé é a extremidade de cada membro inferior, a principal função do pé, em vertebrados terrestres, tal como o homem, é a locomoção, por isso, suportam o nosso peso quando andamos, mas a segurança também passa pelos pés, quando conduzimos passam a ser os executores dos comandos de controlo da viatura com que circulamos, seja de duas ou de quatros rodas.

Os pés são imprescindíveis na condução, o seu estado pode ser causador de distrações durante o ato de conduzir. Por esse motivo, devemos ter em atenção que nada prejudique, ou incomode, a sua saúde e praticabilidade de utilização.

Ferimentos e doenças dos pés

No caso de ferimentos do pé, por exemplo, não se pode conduzir com imobilização do pé, por ligadura ou gesso. Muitas fraturas do pé implicam baixa laboral prolongada até à sua cicatrização, período durante o qual não se pode conduzir, algo a ter em atenção caso os seus rendimentos provenham da condução.

Uma maleita comum é o pé de atleta, é provocado por um fungo que cresce na pele dos seus pés, geralmente entre os dedos do pé e na sola do pé, mas os sintomas podem surgir nos tornozelos, palmas e entre os dedos das mãos.

Há alguns anos um medicamentos para tratar essa doença chegou inclusivamente a lançar uma campanha publicitária onde mostrava uma viatura a efetuar diversas travagens repetidas, num pára-arranca constante, o motivo era o condutor a coçar a sola do pé no pedal de travão em busca de um alívio.

Apesar do aparente exagero esta é uma situação que pode ocorrer de forma quase inconsciente por parte do condutor caso a sua situação clínica seja relativamente grave. Portanto se tem esta patologia, trate-a.

O calçado adquado

A segurança também passa pelos pés_botas competição
Quando conduzimos o pé geralmente está protegido por um sapato, esse calçado tem que se adequar a essa missão e, deste modo, assegurar uma maior eficiência no controlo do veículo. Caso o sapato esteja mal adaptado, pode transformar-se numa fonte de distração ou incómodo, aumentando os riscos ao volante.

Deve escolher bem o tamanho do seu sapato e o sapato em si, além de respeitar o comprimento e a largura do pé, um bom sapato, na medida em que respeita a flexão ântero-posterior, deve dobrar transversalmente a nível das articulações metatarso falângicas, facilitando a descolagem do pé ao dar o passo ou ao carregar num pedal de um automóvel ou de um motociclo.

A Fundação MAPFRE informa que deverá ter em atenção que o calçado indicado para conduzir tem de aconchegar bem o pé, tanto pela parte posterior do calcanhar, mantendo o osso calcâneo na posição fisiológica e relaxada, como pelo peito do pé.

Existem diversos tipos de fixação dos sapatos, o ideal é proporcionada pelos atacadores que fixam pelo peito do pé, ao fixaram o metatarso, permitem a existência de mais espaço disponível para os dedos, sem qualquer tipo de pressão lateral ou distal.

Recomenda-se que, para conduzir, a sola dos sapatos escolhidos seja de borracha pois esta proporciona uma melhor aderência aos pedais e ao pavimento do habitáculo do veículo.

O pé no feminino

A segurança também passa pelos pés_salto alto
Os sapatos de saltos são sempre uma fonte de insegurança para conduzir, por isso escolha para conduzir sapatos que tenham saltos o mais pequeno possível, pois será melhor o apoio do pé da condutora.

Algumas condutoras têm o costume de utilizar um determinado calçado na condução e mudam-no quando saem do carro para se vestirem adequadamente. É uma opção correta, mas com atenção a um pormenor, não deixem no espaço do condutor os sapatos que serão calçados ao sair do automóvel.

Este cuidado é necessário para que no caso da ocorrência de uma travagem ou uma manobra brusca pode deslocá-los no interior do carro, podendo se colocarem para debaixo dos pedais, impedindo o funcionamento adequado destes e causando um acidente.

Os tapetes em mau estado que se dobram, normalmente debaixo dos pedais ou dos pés são muito perigosos para os condutores e os que apresentam buracos são os piores aliados para os saltos dos sapatos das senhoras, dado que aumentam o risco de perda de controlo numa situação de trânsito imprevista, impedindo o pé de se deslocar de forma livre para executar as operações necessárias.

O calçado chamado desportivo, as sapatilhas, devidamente apertados são extremamente eficazes, no sentido contrário da segurança ao volante estão as sandálias e as socas, todo o tipo de calçado solto no pé, é perigoso.

Calçado para motociclos e velocípedes

Passando aos motociclos e velocípedes devemos sempre usar, de preferência, botas de cano alto, tanto no lugar do condutor como no lugar do passageiro, devido à vulnerabilidade dos membros inferiores quando se circula nestes veículos.

No caso de uma eventual queda de mota a abrasão da pele em contacto com o asfalto provoca ferimentos geralmente graves, em especial nos membros inferiores, pois o pé está demasiado solto para não sofrer grandes lesões.

Algumas pessoas alegam que o cano alto das botas dos motociclos, apesar de protegerem melhor o tornozelo, criam uma limitação nos movimentos, no entanto é as autoridades que homologam este tipo de calçado são da opinião que este não interfere de forma significativa com a condução.

É legal conduzir de chinelos?

Nas zonas de lazer, é frequente conduzir-se descalço ou com chinelas, o que é um hábito extremamente perigoso pois, se for necessário fazer alguma manobra brusca em que os pés sejam chamados a atuar, o mais certo é que os pedais não sejam pisados com a segurança necessária.

Será ilegal fazê-lo? Não. O nº. 2, do artº. 11º do Código da Estrada (redação do Decreto-Lei nº. 44/2005, de 23 de Fevereiro), refere que: “Os condutores devem, durante a condução, abster-se da prática de quaisquer atos que sejam suscetíveis de prejudicar o exercício da condução com segurança”

Como a ANSR refere, o facto de um indivíduo conduzir um veículo calçado com chinelos, ou com qualquer outro tipo de calçado não se enquadra, por si só, no conceito descritos na norma, na medida em que, não existe qualquer restrição ou imposição legal ao tipo de calçado que um condutor deve utilizar no exercício da condução, nem sequer que imponha que tal exercício deva ser efetuado com o respetivo condutor devidamente calçado.

Assim, considerar-se qualquer condutor só pelo facto de estar calçado com chinelos, conduz de forma a prejudicar o exercício da condução com segurança, estar-se-ia a entrar no domínio da total subjetividade na apreciação dos factos.

Tal tipo de calçado ou qualquer outro, ou até a ausência do mesmo, para um condutor em concreto pode de facto prejudicar o exercício da condução enquanto que para outro condutor tal poderá em nada afectar a respectiva condução.

A segurança também passa pelos pés

No entanto temos de ter a honestidade de reconhecer que calçados com um sapato adequado conseguiremos operar os comandos do veículo com maior precisão, maior eficiência e sem hipóteses de criar distrações na condução.
Lembre-se que a segurança rodoviária é algo que começa em si.

Fotos: Shannon Kringen, Brian Snelson, Loveheels