“Infotainment”, bom ou mau?

Infotainment, bom ou mau?

Infotainment, bom ou mau?

Infotainment é informação baseada em conteúdo de informação que também inclui conteúdo de entretenimento e que na vertente que nos interessa analisar pode ser adicionados a veículos, a fim de melhorar a experiência de ser condutor ou passageiros.

Os sistemas de comunicações e entretenimento integrados nos automóveis estão a chegar cada vez mais a todos, agora até os segmentos mais baixos em comercialização pelas diferentes marcas automóveis passarão a possuir os sistemas infotainment.

Quem dará o primeiro passo será a Opel que disponibilizará, no seu modelo do segmento de entrada da sua gama, um sistema de infotainment que irá adotar o “Siri Eyes Free” de forma integral, este assistente da fabricante americana Apple permite efetuar, durante a condução, uma série de operações no telefone da marca americana, através de comandos de voz.

Em qualquer marca e modelo a forma de funcionamento é idêntico, pressionando uma tecla no volante, a reprodução de música ou instruções de navegação são interrompidas e o utilizador poderá recorrer ao sistema de comunicação, mantendo assim os olhos na estrada e as mãos no volante, permitindo conduzir em segurança.

Outras marcas já disponibilizam estes sistemas, principalmente as chamadas “premium”, e permitem que sejam usados equipamentos de outras marcas, como o S-Voice Drive da japonesa Samsung e diversas aplicações como por exemplo o Pandora, Stitcher, Rhapsody e Glympse.

A proliferação destes meios de comunicação e entretenimento, que agora podemos considerar como democratizada, onde todos têm acesso independentemente do escalão do veículo adquirido, passa a ser necessária para garantir a venda no momento de decisão por parte do cliente.

Infotainment é excesso de informação?

Com tanta disponibilidade das marcas para dar mais “informação” e tornar acessível mais “gadget’s” eletrónicos, será que não estamos a ser colocados num ambiente hostil à concentração do condutor?

Recordo-me de há alguns, pronto… muitos anos atrás, estar como expositor numa feira e aquando da passagem de alguns agentes policiais ter uma conversa “animada”, por afirmarem que multariam os meus carros se os encontrassem na estrada com os sistemas de televisão e entretenimento instalados, na época nos autorrádios.

Julgo que, hoje se seguissem essa medida multariam todos os veículos. Na época os meus sistemas tinham um sistema de segurança, estavam ligados ao travão de mão só com ele ativado é que, por exemplo, podiam ter acesso à televisão ou vídeo no ecrã da consola central.

No entanto, existem muitos serviços auto intitulados de infotainment, que oferecem uma variedade de funções e serviços, muitos dos quais chegam a incluir os vários sítios vez mais populares, desde páginas sociais a páginas de partilha vídeo, que estão sendo usados diariamente por milhares de milhões de usuários em todo o mundo.

Se ao ajustar o simples rádio deixamos de olhar, por momentos, para a estrada e esse pequeno lapso de tempo pode provocar acidentes, imagine-se o que pode provocar estar a olhar durante alguns segundos para um ecrã a ler a informação, a torna-lo inteligível e interagir com o sistema.

Sei que a maioria dos sistemas são “hands free”, possuem sistema de comandos de voz, mas mesmo utilizando os que melhor funcionam algumas vezes ficamos a repetir, literalmente, dezenas de vezes um comando que é interpretado de forma incorreta ou nem é interpretado de todo.

Até os sistemas criados para nos ajudar criam situações que alteram a nossa atenção na estrada, por exemplo o GPS numa situação normal é configurado quando estamos parados antes de iniciarmos a marcha, porém, quanto mais perto estamos do nosso destino, maior a probabilidade de encontrar imprevistos, a estrada está em obras, foi criada uma estrada alternativa que não consta do nosso mapa e lá vamos nós ajustar manualmente e em andamento o novo percurso.

Hoje em dia pode consultar praticamente tudo o que quiser enquanto conduz, o que isso afeta na concentração dos condutores deverá ser mais analisados, porque se utilizar o telemóvel é considerada como sendo equivalente a estar ébrio com um grau de até 0,8 gramas de álcool no sangue, deveremos ter cuidados redobrados ao usar o infotainment.