O papel do cinto na segurança rodoviária

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O cinto de segurança é um dispositivo de proteção dos ocupantes de um veículo e serve para, em caso de colisão, impedir a projeção dos mesmos dentro ou para fora do veículo.

O cinto de segurança é obrigatório em praticamente todos os meios de transporte e em quase todos os países do mundo. Conheça algumas exceções neste artigo.

São várias as pessoas que continuam a não usar o cinto de segurança por achar que é incómodo e até por medo de ficarem presas no veículo em caso de acidente. No entanto, as estatísticas demonstram que o uso do cinto de segurança reduz, tanto a gravidade dos acidentes como a ocorrência de ferimentos. O seu uso é “incentivado” mundialmente pelo alto valor das multas e por campanhas de sensibilização.

Inicialmente, os cintos de segurança circundavam apenas o abdómen, permitindo que o tronco fosse projetado para a frente no momento da desaceleração causada por um impacto. Posteriormente foram aperfeiçoados e surgiram os cintos de segurança de três pontos, como os conhecemos hoje, que possuem uma faixa que cruza o peito do passageiro, oferecendo maior segurança.

Contudo, no lugar central do banco de trás de alguns veículos os cintos ainda são de dois pontos. Insistir na utilização deste tipo de cinto é um erro, pois em caso de acidente os ocupantes do banco de trás não têm o tronco imobilizado, sendo este projetado para a frente, podendo causar ferimentos na cabeça e pondo em maior risco a integridade dos ocupantes dos bancos dianteiros.

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Em certos modelos de automóveis, um sensor ligado a um alarme deteta que os cintos de segurança não forem colocados, “incentivando” através de apitos constantes os ocupantes a usá-los.

Os primórdios do cinto de segurança

Os primeiros cintos de segurança foram inventados pelo engenheiro inglês George Cayley em meados do século XIX, embora Edward J. Claghorn, de Nova Iorque, obtivesse a primeira patente para um cinto de segurança, mais concretamente a US 312.085, a 10 de fevereiro de 1885.

A patente de Claghorn foi concedida como um cinto de segurança para turistas, pintores e bombeiros sendo descrito na patente como “concebido para ser aplicado à pessoa, e fornecido com ganchos e outros anexos para segurar a pessoa a um objeto fixo.”

Em 1911, Benjamin Foulois concebeu um cinto para o assento do Wright Flyer Signal Corps 1, ele pretendia que este o prende-se de forma suave no banco para que pudesse controlar melhor o seu avião enquanto percorria o terreno acidentado usado para a deslocagem e para a aterragem.

Porém, foi apenas na Segunda Guerra Mundial que os cintos de segurança foram totalmente adotados em aeronaves militares, e mesmo assim, foi principalmente por razões de segurança, não para melhorar o controlo do avião.

O cinto de segurança evolui para 3 pontos

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O primeiro cinto de segurança moderno de três pontos, o chamado sistema de retenção CIR-Griswold, usado na maioria dos veículos atuais foi patenteado na Patente U.S. N ° 2.710.649 pelos americanos Roger W. Griswold e Hugh DeHaven.

Os acidentes mortais fatais estavam a crescer rapidamente na Suécia durante os anos 50 do século passado. Quando um estudo na empresa Vattenfall sobre os acidentes entre os próprios funcionários revelou que a maioria das vítimas ocorreu em acidentes de carro, dois engenheiros da Vattenfall, a saber Bengt Odelgard e Per-Olof Weman, começaram a desenvolver o cinto de segurança de três pontos.

O seu trabalho estabeleceu o padrão para cintos de segurança em carros suecos e foi apresentado ao fabricante sueco Volvo no final dos anos 1950. O cinto de segurança de 3 pontos foi posteriormente desenvolvido para a sua forma moderna pelo inventor sueco Nils Bohlin também para a Volvo, marca que o introduziu em 1959 como equipamento padrão nos seus veículos.

Além de projetar um cinto de três pontos efetivo, Bohlin demonstrou sua eficácia num estudo de 28 000 acidentes ocorridos na Suécia. Ocupantes sem cinto sofreram lesões fatais em toda a escala de velocidade, enquanto nenhum dos ocupantes com cinto foram mortalmente feridos em velocidades de acidente abaixo de 100 km/h.

Legislação obriga o uso do cinto

A primeira lei no mundo que implicava o uso do cinto de segurança foi posta em prática em 1970, no estado de Victoria, na Austrália, tornando o uso do cinto de segurança obrigatório para os condutores e passageiros da frente.

Esta legislação foi promulgada depois de testar os cintos de segurança da Hemco, projetados por Desmond Hemphill, nos bancos da frente dos veículos da policia, reduzindo a incidência de lesões e mortes de agentes.

 

Exceções da obrigatoriedade do Cinto de Segurança

Estão excluídas da obrigatoriedade da instalação de cinto de segurança os tratores agrícolas, tratocarros e motocultivadores. Nos bancos da frente dos automóveis ligeiros de passageiros e mistos matriculados antes de 1 de Janeiro de 1966 e os restantes automóveis ligeiros matriculados antes de 27 de Maio de 1990.

Nos bancos da retaguarda os automóveis ligeiros matriculados antes de 27 de Maio de 1990. Ficam isentos da obrigatoriedade de utilização do cinto de segurança as pessoas que possuam um atestado médico de isenção, por graves razões de saúde, passado gratuitamente pela autoridade de saúde da área de residência.

Assim como os condutores de automóveis ligeiros de aluguer, vulgo letra A, ou taxímetro e os condutores de veículos de polícia e de bombeiros, bem como os bombeiros e agentes de autoridade transportados nestes veículos, dentro das localidades, estão dispensados do uso obrigatório do cinto de segurança.

Especial atenção para as criança

No caso das crianças com menos de 12 anos de idade e menos de 150 cm de altura devem ser transportadas sempre no banco de trás e são obrigadas a utilizar sistemas de retenção adequados ao seu tamanho e peso, as chamadas cadeirinhas.

É permitido o transporte de crianças com menos de 3 anos no banco da frente desde que se utilize sistema de retenção virado para a retaguarda e o airbag do lado do passageiro se encontre desativado.

Atenção que nos automóveis que não estejam equipados com cintos de segurança é proibido o transporte de crianças com menos de 3 anos de idade. Siga as regras, evite as multas e melhore a probabilidade de sobreviver a acidentes, use sempre o cinto de segurança.
Fotos | BabyCenter, Ktrso, Wikipedia, OpenIcons, Business Wire