Cada vez mais jovens conduzem alcoolizados

Teste álcool

A GNR libertou, por altura das festas de Natal e Fim de ano, vários dados relativos à segurança rodoviária em Portugal. Entre acidentes, condutores que conduzem sem carta, seguro ou cinto de segurança, também se registou um aumento no número de recém encartados a conduzir sob o efeito do álcool.

Conduzir envolve várias tarefas complexas que exigem concentração máxima. E embora vários fatores possam afetar a capacidade de concentração, quer seja um telemóvel, um GPS, ou até sono, as deficiências induzidas pelo álcool parecem ser um fator chave.

Independentemente da tolerância de cada um, não há atualmente qualquer dúvida sobre os efeitos do álcool nas várias funções cognitivas e motoras dos indivíduos. Ainda assim, são muitos os que continuam a ignorar a Lei, com especial incidência para os jovens e inexperientes condutores.

Os números

Em Portugal, desde 2014 que a taxa máxima de álcool é de 0,2g/l de sangue para quem tem carta há menos de 3 anos, mas, segundo dados da Guarda Nacional Republicana, há cada vez mais jovens em incumprimento.

Só desde o início de 2017 até final de outubro foram registados mais de 1100 condutores jovens, com carta há menos de 3 anos, a conduzir com álcool.

A GNR revela ainda que dos mais de 8000 recém-encartados apanhados a conduzir com excesso de álcool desde 2014, 10% apresentavam uma taxa crime, ou seja, uma taxa de álcool superior a 1,2 g por litro de sangue. A estes dados acrescem ainda os números da PSP, não contabilizados aqui.

Em declarações ao Jornal de Notícias (JN), o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) considera que “Tem havido uma alteração nos padrões do consumo do álcool entre os jovens”. José Miguel Trigoso avisa que as estatísticas dos jovens alcoolizados ao volante são “elevadas” e recorda que, ao contrário do que se verificava há alguns anos, há hoje um consumo “pontual, mas em grandes quantidades” por parte das faixas etárias mais baixas. Algo que, em seu entendimento, justifica a existência de “mais campanhas de sensibilização” direcionadas aos jovens. E uma aplicação da lei mais eficaz. “A tramitação das multas é demasiado lenta por parte da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, o que contribui para que estes comportamentos se repitam, porque muitas vezes não se traduzem em punições efetivas”, critica o especialista.

De acordo com o JN, o Parlamento Europeu quer avançar com uma taxa zero de álcool ao volante em todos os países da União Europeia, pois actualmente, 25% das mais de 25000 mortes que ocorrem nas estradas europeias são causadas pelo consumo de álcool. A regra seria para os novos condutores (com carta há menos de 2 anos) e para os condutores profissionais, tal como já acontece na Alemanha, Croácia, República Checa e Hungria.

Efeitos do álcool

O álcool tem um efeito fisiológico complexo que pode, directa ou indirectamente, levar ao desenvolvimento de alterações no estado de humor, perda de coordenação, fala arrastada, marcha instável, incapacidade de discernimento, tonturas, entre outros. Em níveis elevados, os sinais de intoxicação podem tornar-se progressivamente piores, resultando, muitas vezes, em situações de coma ou até de morte. Uma das principais preocupações é a questão do consumo de álcool na condução, que se verificou estar associada a um certo número de riscos significativos de segurança.

bebidas

O risco aumenta… e muito!

A Prevenção Rodoviária Portuguesa concluiu também que para taxas de álcool no sangue ilegais para conduzir, verificam-se agravamentos muito significativos do risco de morte:

– para uma TAS entre 0,50 e 0,79, o risco aumenta cerca de 10 vezes;
– para uma TAS entre 0,80 e 1,19, aumenta cerca de 12 vezes;
– para TAS superiores a 1,2g/l, o risco aumenta cerca de 140 vezes. (PRP, 2016)