Escola de condução – Centro de Formação ou fábrica de produção em massa?

Escolas de condução - Centro de formação ou fábricas de produção em massa?

Uma escola de condução deveria, deve e deverá sempre ser, um centro de formação de futuros condutores, onde se aplica um programa formativo capaz de promover o melhor ensino, no sentido de garantir intervenientes, no meio rodoviário, capazes de desenvolverem uma condução segura.

Esse programa deve ser exequível, claro e acessível a todos quantos desejem ser actores do meio rodoviário, com responsabilidade. Acontece que não é isso que se passa. A escola de condução foi, é e esperemos que rapidamente deixe de ser, apenas uma fábrica de produção em massa de futuros utilizadores de um mecanismo que pode matar, se mal manuseado.

A fábrica de novos condutores

Como profissional na área do ensino da condução automóvel, sinto-me, tal como me tenho sentido nos últimos anos, preocupado com a cavalgada desmedida que a legislação relativamente à instituição escola de condução está a levar.

Sinto-me preocupado, porque apercebo-me que cada vez mais o conceito de escola de condução como centro de formação está a cair num vazio e em sua substituição emerge, cada vez mais alto e forte, o conceito de fábrica de construção em massa de novos dominadores de máquinas motorizadas.

Esta minha preocupação é sustentada na experiencia de mais de vinte anos a trabalhar no sector e a ver que a legislação que vai sendo alterada, nada de novo e direccionado à boa formação, apresenta, assim como nas estatísticas da sinistralidade.

Ou seja, cada vez mais a linha seguida se aproxima do interesse capitalista, onde a prestação de uma formação pode não passar mais do que um mês, desde que esse candidato entra numa escola de condução, até que de lá sai, já com um documento que o autoriza a conduzir.

A última das aberrações, é a da introdução de um tutor. Não pela figura em si, que até poderia ser bastante útil, mas sim a forma como é introduzido na engrenagem. Diz o povo que esta introdução é feita “a martelo”, devido à fraca qualidade que produz.

A questão que se coloca é simples; o que se pretende? Centros de formação credíveis, ou linhas de montagem de condutores, sem conhecimentos adequados, onde levam o toque final em centros de exame privados?

Foto¦ Publico