Não deixe que a oficina o engane

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Segundo alguns estudos realizados por entidades competentes em Portugal, as oficinas são o quinto setor onde se registam mais queixas por ano pelo facto de, supostamente, lesarem os seus clientes. Siga as dicas do Circula Seguro para evitar surpresas desagradáveis na próxima vez que se deslocar à oficina.

1 – Opte sempre por uma oficina oficial ou legalizada

Todas as oficinas devem afixar, por lei, na sua fachada e num lugar bem visível, uma placa identificativa na qual figure o número de registo na entidade reguladora e as especialidades para as quais está preparada e autorizada. Por outro lado, se o seu automóvel ainda está dentro do período de garantia, apesar de legalmente o poder levar a qualquer oficina independente sem a perder, é recomendável que, pelo menos no período de vigência da mesma, se desloca a oficinas oficiais de forma a evitar problemas com o fabricante no caso de surgir uma avaria. São vários os fabricantes que não assumem a garantia depois do veículo ter sido reparado noutra oficina durante o período de vigência por essa mesma oficina não ter utilizado material original da marca em questão, ainda que a lei diga o contrário.

2 – Pergunte quanto vai pagar pelo trabalho

Antes de deixar o carro na oficina, consulte sempre o preço da mão de obra, ainda que por lei a oficina não seja obrigada a informar o cliente sobre esse valor. Está apenas definido que é obrigatório existir um cartaz afixado junto da receção que informe sobre o preço da mão-de-obra praticado. Normalmente, este cartaz exibe o preço da mão-de-obra sempre ao lado dos direitos e deveres do cliente e ainda uma tabela de preços de outros serviços prestados pela oficina. Uma oficina cobra barato se a mão de obra rondar os 30 euros/hora ou abaixo deste valor. Todavia existem alguns estabelecimentos que chegam aos 75 euros/hora. Também depende da marca e até da área geográfica da própria oficina.

3- Não se esqueça do orçamento

Todos temos o direito de exigir um orçamento por escrito no qual surjam detalhadas as operações a realizar ao veículo. Esse documento deve incluir o número de identificação fiscal da oficina e a morada.
O orçamento tem de detalhar o preço de cada peça e da mão de obra estipulada para cada operação; desta forma, os mecânicos não podem “mexer” em nenhum componente que não esteja detalhado no orçamento. Se quiserem fazê-lo terão de telefonar ao proprietário do veículo a pedir autorização.

4 – Leve o comprovativo de que o carro ficou naquela oficina.

Ao deixar o veículo numa determinada oficina, é importante que leve consigo um documento que comprove que deixou o carro naquele local e em que condições. O documento tem de estar assinado pela oficina e pelo cliente. Este documento específica também as intervenções que o cliente pediu para serem feitas. Assegure-se de quantos quilómetros tem o carro e o nível do combustível. Há casos de queixas a oficinas independentes que utilizaram os veículos dos clientes com fins particulares sem o seu consentimento.

5 – Devem entregar as peças usadas ou substituídas

Uma boa forma de se assegurar que realizaram as reparações que foram previamente acordadas, é pedir para levar as peças deterioradas e substituídas na hora de levantar o veículo. Por lei, é obrigatório que a oficina as entregue. Para além disso, se determinada avaria persistir, vão servir para poder reclamar, uma vez que pode sempre alegar que a peça que trocaram não era a correta. Pode ainda servir para dizer que a peça que substituíram não estava assim tão danificada.

6 – Tenha algumas reticiências em relação às peças usadas

Uma prática cada vez mais comum em algumas oficinas independentes é a montagem de peças usadas, em segunda mão, disponíveis em locais de desmontagem de veículos, e que depois são cobradas ao cliente final como peças novas. Assim sendo, para além das peças usadas mostre intenção em ver a embalagem dos componentes novos que foram colocados no seu veículo. É um direito seu como consumidor. Desta forma poderá ver que são novas e estão homologadas. Em cada embalagem deve constar a sigla ECE, seguida por uma série de números e letras que são a chamada referência do componente.
Leve em consideração que a lei apenas permite a montagem de peças usadas se a oficina se responsabilizar por esta prática por escrito e que estas se encontram em bom estado de conservação, ou ainda no caso de não existirem peças novas e o cliente dê a sua autorização.