Porquê prevaricar?

alcool

A segurança rodoviária depende da atitude de cada utilizador da via pública e dos seus comportamentos rodoviários. Sendo verdadeira a afirmação anterior, não é menos verdadeira que, principalmente, a atitude advém da educação que nos foi ministrada, dos exemplos com que nos presentearam os nossos educadores e da sensibilização especifica que nos foi disponibilizada.

É verdade que muitos de nós, os das décadas de 70, 80 e até mesmo de 90, podemos queixar-nos que em Portugal não foi disponibilizada muita informação, sensibilização e formação na área da educação rodoviária. No entanto, somos inteligentes o suficiente para nos autoeducarmos,. Se nessas décadas a sensibilização para as causas/ consequências da sinistralidade rodoviária e o acesso à informação era de difícil em Portugal, nos dias de hoje e apesar da formação ficar aquém do expectável, há mais e muita informação disponível, assim como informação não institucional.

Com alguma regularidade, felizmente, podemos verificar a ida de agentes da Guarda Nacional Republicana nos telejornais dos diversos canais de televisão portugueses, sensibilizando os telespectadores condutores que, eventualmente, vão dar inicio a uma viagem longa, para adotarem comportamentos adequados à segurança rodoviária, nomeadamente com especial atenção às velocidades praticadas, consumo de bebidas alcoólicas, uso do telemóvel e realização de manobras perigosas. Introduzem ainda na sua recomendação cuidados especiais a terem os condutores, como verificação técnica do veículo e repouso.

GNR

Guarda Nacional Republicana

Estas aparições da GNR nos meios de comunicação social, normalmente surgem em épocas especificas do ano, Verão, Natal, Páscoa, ou sempre que algum feriado anteceda ou proceda um fim de semana, tornando-o mais longo. Ainda assim, estas informações e sensibilizações são válidas para o resto do ano, com vista à segurança e bem estar permanente.

Se nos dias de hoje esta força de fiscalização, em parceria com os meios de comunicação social promove este tipo de sensibilização, inclusive com reportagens efetuadas no local de ação, seja em operações “Stop”, seja no acompanhamento das viaturas das Brigadas Territoriais, porque será que ainda há tantos condutores a transgredirem com velocidades excessivamente elevadas, muito acima do máximo por Lei permitido, condicionando a sua segurança, integridade física e vida, assim como a dos outros. Porque será que continuam a conduzir com taxas de álcool que, mais do que excederem o limite permitido por Lei, excedem o bom senso, o respeito, a educação pela vida humana e a liberdade de circulação num todo?

Argumentos

Podemos argumentar mil razões, montar mil desculpas, um cento de lamentos. Podemos espernear, ralhar, atribuir culpa à pouca sorte que nos assiste. Jamais, em tempo algum, podemos atribuir culpa à falta de sensibilização ou informação que as autoridades nos vão transmitindo, para o facto da condução sob o efeito do álcool representar um rosco muito elevado para a segurança rodoviária.

Afinal, o álcool não nos afeta a todos da mesma forma, nem a nós do mesmo modo em situações temporais distintas. Para que se saiba, quando um condutor se começa a dar conta que já não está bem, esse mesmo condutor já se encontra numa taxa de álcool por litro de sangue superior a 0,8 gramas. Ou seja, encontra-se legalmente em contraordenação muito grave, punível com inibição de conduzir de 2 meses a 2 anos e coima de € 500 a € 2500.

Contra factos não há argumentos, mas algumas questões se colocam:

– Se existe toda essa panóplia de informação e sensibilização, porque ainda há condutores em Portugal que conduzem com taxas de álcool no sangue, muitas vezes abrangidas numa condição de crime?

– Porque será que há condutores que excedem largamente os limites máximos de velocidade em locais impróprios é segurança mínima exigida? Afinal, em Portugal, ao se fugir da circulação em autoestrada, transita-se muitos quilómetros em estradas nacionais que atravessam localidades. Localidades essas onde muitos troços não estão equipados com passeios ou locais de travessia da faixa de rodagem. É muito diferente circular a 140 km/h numa autoestrada, do que a 70 km/h no interior ou atravessamento de uma localidade. Nesta última o risco aumento exponencialmente.

Responda quem queira, mas eu tenho a minha tese; ou não têm aptidão psicológica para serem condutores, ou sentem uma enorme impunidade nas suas transgressões. Não só tarda a aplicação da sanção, como em muitos casos, e a Lei prevê, o facto do infrator ter uma boa capacidade financeira, esta permite substituir a inibição por uma caução de boa conduta. Outros são os casos em que é a própria burocracia  portuguesa que leva os autos a prescreverem, aumentando o sentimento de impunidade aos infratores.

Foto | G-SAT, Revista Galileu