Uma barreira à minha segurança

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Quando se projeta a segurança rodoviária, deve-se projetar a segurança e boa mobilidade de todos. E se teoricamente tal está contemplado nos manuais de orientação e memórias descritivas, a pratica mostra-nos que tal não acontece ou escasseia. A segurança rodoviária somos nós que a fazemos, quer seja na nossa atitude, quer seja nos nossos atos.

Mas, também, essa segurança rodoviária é construída na planificação das vias de comunicação terrestre, tendo em consideração o tipo de veículos a que se destinam ou se estão orientadas para a circulação de peões. Nessa circulação, planificada, deve estar considerado que existem diversos tipos de peões, nomeadamente peões invisuais ou peões que a sua mobilidade é a cadeira de rodas, o andarilho ou as canadianas.

Mobilidade

Estes são utilizadores da via publica que requerem um  espaço de circulação capaz de os receber, garantindo-lhes um bem estar ausente de barreiras arquitetónicas (bancos, buracos, árvores, candeeiros, publicidade, etc…), mas equipadas de mecanismos, sistemas e soluções que auxiliem e facilitem a sua mobilidade. Acontece que, na realidade, estes direitos não são, em grande parte dos casos, verificados, sendo as vias projetadas  e principalmente construídas, não indo de encontro às necessidades de todos.

Nos casos referidos, não nos podemos esquecer que os olhos dos invisuais é o seu tato e que é no chão que eles têm de encontrar a informação de aproximação à faixa de rodagem, localização de uma passadeira ou da entrada num edifício ou zona comercial. É no chão que tem de haver informação sobre eventuais obstáculos suspensos ou inicio de escadaria.  Devemos perceber que o acesso à passadeira deve ser feito através de rampa ou passeio com lancil de desnivelamento progressivo.

Também para cadeiras de rodas jamais um simples corte diagonal num lancil de passeio cria um acesso digno de tal nome. Afinal, o que para um comum mortal pode ser uma facilidade descer um passeio de 20 cm de altura para atravessar a faixa de rodagem, para um invisual, idoso ou pessoa com dificuldade de locomoção é uma exigência muito violenta e por vezes de impossível transposição.

A via

A segurança rodoviária é definida pela capacidade que cada rua têm para receber  os diversos utilizadores. Assim, cabe aos responsáveis das autarquias a responsabilidade de vendarem os olhos ou se sentarem numa cadeira de rodas e se fazerem deslocar por todas as ruas do seu Concelho.

Deste modo perceberá a dificuldade que existe em atravessar a faixa de rodagem, circular numa rua ou sair/entrar de um automóvel, pelo simples facto de um lugar reservado estar ocupado por quem não deve ou simplesmente não ter espaço disponível para se abrir uma porta na sua totalidade para colocação de uma cadeira de rodas, pois a dimensão do espaço reservado não tem as medidas regulamentadas. A segurança rodoviária é responsabilidade de todos e a todos deve preocupar. É algo sem rosto, mas que todos devem conhecer, respeitar e propagandear.

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Fotos ¦ rvanews e Lins