O equilíbrio entre condutores séniores e carros novos

idosos e carros novos

De acordo com a Federal Highway Administration, dos Estados Unidos da América, há bem mais de 2 milhões de condutores habilitados com mais de 85 anos de idade e espera-se que esse número cresça significativamente nos próximos anos. Felizmente vivemos mais e mais ativos do que nunca. Esta é a geração, agora condutores séniores, em que quase todos tiraram carta de condução durante a adolescência e conduziu desde então.

Um condutor de hoje com 85 anos, provavelmente, começou a conduzir com 15 ou 16 anos, que data o início de sua “carreira de condutor” para 1943-1944, no auge da Segunda Guerra Mundial. Em termos automobilísticos, foi aproximadamente um quarto de século antes dos cintos de segurança serem adaptados nos carros.

Com a idade as capacidades músculo-esqueléticas e neurológicas reduzem-se e surgem algumas alterações que afetam essencialmente a mobilidade e a postura, mas não significa que exista perda de capacidade de se movimentar ou problemas de dependência, aliás é essencial que o idoso mantenha a sua independência até por motivos de saúde psicológica.

Alguns condutores séniores centenários

Em janeiro de 2013, Edythe Kirchmaier, uma bisavó da Califórnia, ficou aliviada ao passar o exame de condução com louvor, ela fez o exame no dia antes de fazer 105 anos, fazendo com que sua carta seja válida até 2017.

Com a mesma idade Bob Edwards, da Nova Zelândia, é considerado o condutor mais velho do país. Edwards diz que “não tem planos para sair de trás do volante” e que não se sente velho.

No caso do neozelandês o seu percurso de condução é realizado numa zona relativamente rural, quando se desloca a um supermercado para fazer as compras para a sua casa, uma vez por semana, e para ir comprar o jornal, duas vezes por semana, num percurso de cerca de 15 quilómetros.

A americana Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA) no seu Plano Estratégico Quinquenal que abrange os anos de 2012 a 2017, estimam que no seu país, até 2020, haverá mais de 40 milhões de condutores habilitados com 65 anos ou mais.

Evolução tecnológica ajuda na condução

Os avanços de segurança que os veículos têm feito são quase inacreditáveis, alguns ainda se lembram de quando os carros não eram equipados com cintos de segurança, e quando o eram ninguém os usava, tinham manípulos pontiagudos por todo o painel que agora foram substituídos por botões arredondados.

Mais impressionante eram os travões, caso fossem de tambor nas quatro rodas e normalmente sem assistência hidráulica, para funcionar em situações de apuro era necessário agarrar-se ao volante e então pressionar o pedal para fazer mais força e obter algo mais que o efeito de um abrandador.

Hoje os veículos à venda possuem uma multiplicidade de ajudas à condução que, desde que sejam entendidas como funcionam e como devem ser usadas por quem realmente os conduz, são um fator que contribuem para a redução da sinistralidade rodoviária.

Quando os condutores séniores pretendem comprar um novo carro, devemos ajudá-los a conseguir um que possua as caraterísticas de segurança que os ajudem na tarefa da condução e não algo que seja simplesmente algo que todos os carros  tem mas que o condutor não usará.

Por exemplo, há uns dias estava a sugerir a compra de um carro a um frequentador da minha página do facebook, Que Carro Escolho?, e o jovem de quase 30 anos que estava a falar comigo insistia que o carro, que era para o avô, com 68 anos, deveria ter o sistema de multimédia e som completo, que custava alguns milhares de euros, enquanto eu sugeria que o ideal, devido ao perfil do comprador, seria investir esse valor no sistema de alerta de saída da faixa de rodagem e um radar detetor de embate eminente.

Por vezes a inovação existe e ajuda realmente quem conduz, trazendo um equilíbrio entre as faculdades reduzidas do condutor e o avanço tecnológico de segurança, mas no momento da compra opta-se por comprar o que é moda e o que quem aconselha acha mais útil, não vendo a real utilidade do equipamento de segurança que compramos e do valor que tem para a segurança de quem vai usá-lo.

A industria automóvel está atenta aos séniores

Em um estudo da Universidade do Instituto de Pesquisa de Tráfego de Michigan (UMTRI) do ano transato, os investigadores concluíram que “os adultos com menos de 50 anos têm sido o grupo-alvo ideal para os anunciantes de automóveis”, mas quando se trata de comprar veículos novos, os consumidores mais velhos estão cada vez mais tidos em atenção.

A ênfase da publicidade nessa “faixa etária relativamente mais velha é apoiada pelo esperado envelhecimento da população e consequente continuação do aumento do número de condutores séniores licenciados”.

A indústria automobilística, através dos engenheiros e desenvolvedores de novas tecnologias recordam que esses novos desenvolvimentos são projetados para “tornar as viagens de carro mais seguras do que nunca, especialmente para a nossa população crescente de motoristas idosos, que são quem mais compra carros novos”.

Foto | Joseph Brent