O limite da informação inteligível

limite de informação

Todos gostamos de ter o máximo de informações possíveis disponíveis, mesmo enquando conduzimos, mas porém como em tudo, o que é exagero não é bom, se algo nos distraí na condução e provoca uma sobrecarga de dados na nossa mente, não está a ajudar, se ultrapassa o limite da informação inteligível está a distrair.

Os mais significativos avanços de segurança que os veículos têm beneficiado foram praticamente todos inventados da última metade do século passado. Alguns ainda se lembram de quando os carros não eram equipados com cintos de segurança, tinham manípulos pontiagudos no lugar de botões arredondados e protegidos, não tinham travões com assistência hidráulica.

Mais recentemente, nos últimos 30 anos, ocorreram a adição de novos equipamentos de segurança, como por exemplo as lâmpadas de marcha atrás, os 4 piscas acenderem numa travagem de emergência, uma terceira luz de travão, o para-brisas laminado, os airbags, primeiro os frontais, depois airbags laterais e de joelhos, para-choques que suportam embates a baixa velocidade, travões de disco nas quatro rodas, ABS, GPS, colunas de direção dobráveis e “heads-up display” onde é exibida a informação essencial.

Na última década chegaram os faróis adaptativos, os sensores e as câmaras ao redor do veículo, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, sistemas de controlo de tração com função de arranque otimizado, controlo eletrónico de estabilidade, distribuição da força de travagem eletrônica, agora até adaptada para curvas, monitoração da pressão dos pneus a bordo, sistemas avançados de navegação com assistentes personalizáveis, vidros hidrofóbicos, zonas de deformação programadas da carroceria e célula de segurança, sistemas de retenção suplementar inteligentes e até caso pretenda gravação de todos os dados, tipo caixa preta da aviação.

Tecnologias Emergentes

E agora estamos entrando no que chamo a era da realidade aumentada automobilística. Ao comprar um veículo novo, pode escolher um modelo com ainda mais recentes avanços, tais como luzes de travão inteligentes, essas luzes de travão mudam a intensidade consoante a força e velocidade com que pisamos o pedal e podem informar os outros veículos atrás de nós dessa situação para que se preparem para travar, e brevemente para-brisas inteligentes, com realidade aumentada.

Acha pouco? Actualmente, já existe o reforço da visão noturna, sistemas de estacionamento automatizados, sistemas de aviso de saída da faixa, notificação de acidente eminente e tecnologias de prevenção de acidentes, como por exemplo retrovisores com deteção e aviso de outros veículos no ponto-cego, sistemas de alerta de fadiga ou de excesso de álcool, aviso de colisão dianteira com travagem automática, e agora está chegando o advento dos carros com condução autónoma.

Isso tudo é bom! Certo?

Há muito debate entre os engenheiros do setor automóvel, psicólogos, pesquisadores de segurança da indústria, passando por geriatras e neurologistas, sobre a forma como as capacidades de processamento dos condutores mais idosos, vai ser capaz de manter-se com a carga de trabalho cognitivo que está sendo exigido por essas novas tecnologias.

Por exemplo, algumas das tecnologias de prevenção de acidente conta com os condutores para tomar medidas imediatas. A eficácia destes sistemas depende de condutores que conseguem, primeiro, aceitar as tecnologias e, segundo, entender as informações dos sistemas de informação, respondendo apropriadamente.

Muitas vezes, a fim de ser eficaz e seguro, o processamento dessas novas informações terá de ocorrer numa fração de segundo, o que pode não acontecer caso o alerta não seja inteligível de imediato, ou confundido com outras informações.

Como determinar qual o limite da informação inteligível?

Durante décadas, os militares vem realizando pesquisas sobre a experiência conhecida como sobrecarga de informação do piloto de caça”, este fenómeno ocorre quando o piloto fica tão “inundado”, com informações produzidas pelos diversos sistemas dentro do cockpit, que a sua mente perde a sua capacidade de analisar corretamente os dados recebidos.

Pior ainda, por vezes, quando a sobrecarga de informação torna-se tão intensa e avassaladora, que num curto período de tempo os resultados podem ser até desastrosos. Como condutores, vamos encontrarmo-nos oprimidos pelo “bombardeio” de novas informações provenientes da nova parcela tecnológica do automóveis, com avisos sonoros, alertas e sinais visuais?

Quase todas as marcas investem na ergonomia e bem, desde os comandos manuais, passando pelo posicionamento dos botões, da forma como conseguimos selecionar determinadas funções nos menus dos sistemas dos nossos carros, de forma a torna-las mais acessíveis e reduzir o tempo que necessitamos de desviar a atenção da condução e da estrada.

Uma marca, num modelo em particular, “limpou” o seu painel de instrumentos, retirou mostradores, botões e manípulos, quando vi fotos do interior desse veículo achei-o um pouco despido, sem piada, mas como costumo experimentar diversos carros novos regularmente, surgiu a hipótese de andar desse modelo, e surpresa, quando instalado ao volante e a conduzir achei-o tão agradável, o painel que em fotos era “sem piada” afinal era até bonito, e na condução não senti falta de nenhuma informação, as que eram essenciais estavam disponíveis de imediato, as restantes estavam acessíveis através de um menu prático, rápido e simples.

A indústria automobilística com os seus engenheiros e outros desenvolvedores dos modelos, estão por trás das novas tecnologias dão mostras de estarem atentos às necessidades dos condutores e lembram-nos que estes novos desenvolvimentos são projetados para tornar as viagens de veículos mais segura.

Convém que as informações só surjam quando necessárias e com uma forma, seja sonora ou visual, que seja imediatamente percetível pelo condutor, para que este seja capaz de atuar de forma adequada e não ficar à procura de decifrar o apito, igual a outros “50 apitos” que o carro tem e que não define a ação a tomar. Circule Seguro.

Foto | Karlls Dambrans