Obstáculos na via em zonas industriais

Obstáculos na via

É publico e sabido que Portugal, nos meios populacionais mais pequenos, ainda tem uma rede rodoviária em nada adaptada à realidade do século XXI, do fluxo de tráfego existente e da segurança rodoviária que se exige para as populações que se movimentam nesses locais, muitas vezes maioritáriamente compostas por idosos.

Se efetuarmos uma análise breve sobre a industria portuguesa, mais propriamente a sua localização, verificamos que, nos anos 60, 70 e até mesmo 80, as grandes empresas eram edificadas fora das zonas populacionais, no entanto o que acontecia, é que ao redor dessas industrias começavam a nascer povoados que hoje são freguesias. Locais com, agora, um número considerável de população.

Obstáculos na via

Hoje trago um caso real que servirá de exemplo ao que quero abordar. Certamente que ao longo do país existem outros casos muito idênticos. Situações que colocam em questão a segurança alheia e que a responsabilidade de tal acontecer não poderá ser imputada aos diretos intervenientes, pois não lhes é disponibilizada outra solução.

Na zona da Figueira da Foz, existe uma pequena vila de nome Fontela. Aí, existe uma fábrica de vidro desde a longínqua data de 1 de Maio de 1920, ano de inicio de produção. Acontece que quando foi edificada ao seu redor nada ou pouco existia. Hoje a realidade é bem diferente. Hoje existe uma densidade populacional que, não sendo muito elevada, apresenta um fluxo elevado de movimentação.

Ora, o facto de existir um fluxo elevado de movimentação, só por si não cria grande problema. A questão coloca-se quando o acesso a essa fábrica se faz por apenas dois lados com uma entrada comum. Ou seja, para os muitos automóveis pesados de mercadorias terem acesso à referida fábrica, seja para descarregarem matéria prima, seja para carregarem produto elaborado, terão de transitar por uma das duas vias de acesso que só por si são muito limitadas na sua dimensão.

Vindo do lado da cidade da Figueira da Foz, esses automóveis pesados de mercadorias terão de utilizar uma via muito estreita onde as habitações e comercio existentes têm uma saída direta para a faixa de rodagem. Existem algumas curvas apertadas, espaços muito estreitos e total ausência de passeios ou bermas. Se se deslocarem vindos a A14, então irão os motoristas dos automóveis pesados encontrar uma estrada igualmente estreita, com algum transito de veículos pequenos e conduzidos por idosos.

Obstáculos na via

Se até aqui a coisa é complicada, mais se torna quando estes veículos de dimensões mais elevadas alcançam as instalações da referida fábrica. Acontece que para terem acesso ao interior da mesma, os motoristas terão de efetuar um “chek-in” e somente depois poderão deslocar o veículo para o seu interior. Esta é uma situação comum em qualquer meio fabril.

O grande problema é que enquanto efetuam o “chek-in” e aguardam a sua vez para operarem, as viaturas ficam estacionadas na via pública, muitas vezes em enormes filas e a proporcionar uma situação de obstáculo que condiciona a fluidez, já por si escassa, e a segurança rodoviária no local. Tal situação é acrescida por ausência de sinalização que indique os demais condutores para a eventualidade da via se encontrar parcialmente obstruída.

Uma vez que ao longo do país existem tantas situações deste tipo, era espectável que as entidades industriais e as autarquias encontrassem soluções capazes de ir ao encontro da segurança rodoviária e fluidez do tráfego. No caso especifico aqui descrito, tal seria facilmente solucionado, bastando para tal que se criasse um espaço para paragem destes veículos ou no interior da empresa ou num espaço existente contíguo à fábrica.