Quedas de moto: A influência da velocidade e obstáculos

Ines Carmo

23 May, 2020

Para conduzir uma moto é preciso ter, primeiro, respeito às duas rodas e depois assumir certos riscos porque, afinal, durante a condução o nosso corpo é parte da carroçaria. Por outro lado, os danos pessoais e materiais, que provocam as quedas de mota dependem da intensidade do impacto, trajetória do veículo e circunstâncias da via. Contudo, não mencionaremos as consequências após um sinistro rodoviário, mas sim os fatores que provocam as quedas de moto e que se poderiam resumir: à velocidade inadequada e aos obstáculos alheios que podemos encontrar no caminho.

Velocidade, causa direta das quedas de moto

quedas

A velocidade reduz o tamanho do campo de vista. Se for em excesso de velocidade, de moto, podem apresentar-se fenómenos como, por exemplo, o chamado efeito túnel. É claro que a condução a alta velocidade limita a visão e aumenta a atenção difusa. Desse modo, o cérebro atua concentrado a visão mais longe, para antecipar as nossas reações, mas reduz a perceção do ambiente próximo.

Por exemplo, se circularmos a 65 km/h, o ângulo de visão reduz até aos 70 graus, enquanto que a 100 km/h o ângulo de visão periférica baixa até 42 graus, iniciando-se assim o chamado efeito túnel. Por esta razão, o campo de visão depende diretamente da velocidade a que circulamos.

Por outro lado, a velocidade inadequada é a primeira causa de sinistralidade rodoviária com vítimas que sejam condutores em vias interurbanas. Um dado a ter em conta sobretudo nas saídas da via em troços de curva devidamente sinalizados. Assim, o excesso de velocidade é a infração mais frequente nos motoristas. Devemos saber que essa sensação de maior liberdade quando conduz uma moto, ao andar na estrada, não vem lado a lado com nem com a segurança do próprio motorista nem tão pouco com a dos restantes utilizadores da via.

Conduzir uma moto com precaução, a uma velocidade moderada, é muito importante para prevenir qualquer imprevisto durante a circulação e ter tempo para reagir de forma correta. Uma condução segura exige ser capaz de se antecipar às manobras dos restantes condutores que podem gerar um conflito. Há que ter a certeza que os restantes condutores nos vêm antes de realizar, por exemplo, uma ultrapassagem, uma deslocação lateral ou uma mudança de faixa.

Como agir perante um obstáculo conduzindo uma moto

quedas

Os obstáculos fixos ou móveis na via como, por exemplo, lombas, buracos ou outros imprevistos como mercadoria caída na estrada, peças de outros veículos ou até veículos parados por avaria ou qualquer outra circunstância, podem aumentar o risco de colisão e posterior queda da moto.

Para tal, há que manter-se atento à via e adaptar a velocidade às circunstâncias existentes. A visão é o sentido mais importante quando conduzimos. Da nossa visão vai depender a rapidez de perceção para evitar qualquer situação de risco. Se virmos que o obstáculo está muito próximo, devemos reduzir a velocidade e, se possível, passar ao lado dele sem sair da faixa do nosso sentido de marcha.

Os toques ou choques contra veículos parados são os sinistros mais comuns na cidade. É por isso que é preciso guardar distância de segurança. Se conduzirmos colados ao veículo da frente e este trava por qualquer imprevisto, possivelmente não conseguiremos evitar a colisão. Pelo contrario, não devemos ultrapassar pela direita porque podemos deparar-nos com pessoas a sair de veículos ou peões a passar entre carros.

Como agir perante uma queda de moto e evitar lesões

quedas

Se a queda da moto for inevitável, devemos saber, sempre que seja possível, como cair bem da moto para sofrer menos danos. Assim, devemos ter em conta os seguintes conselhos:

– Soltar o punho e deixar a moto imediatamente para evitar ser arrastado por ela. Deste modo reduz as possibilidades de sofrer lesões nos pulsos e queimaduras.

– Tentar procurar cair num local com menos obstáculos para reduzir choques contra elementos rígidos ou cortantes.

– Ao cair, o corpo girará para onde se dirige a sua visão e é para aí que irá a moto.

– Uma vez no chão, há que relaxar e deslizar (não rodar) até se deter totalmente.

– No caso de rodar pelo asfalto, há que proteger braços e pernas. A melhor forma de o fazer é colar os braços ao corpo e tentar manter as pernas em linha reta.

Não se tente levantar antes que o corpo esteja parado para não cair de novo.

– Por último, o capacete e a roupa adequada será de ajuda imprescindível. Para viagens grandes, convém levar capacete integral e roupa de pele ou tecidos especiais com proteções para evitar lesões

Certo é que enquanto as duas rodas tenham de se movimentar em terreno hostil, onde se pensa que as estradas e ruas são apenas para os veículos de quatro rodas, continuarão a ser os veículos mais vulneráveis juntamente com ciclomotores e bicicletas.

Além da velocidade e da existência de obstáculos como causas de acidentes de moto, existem outros fatores como, por exemplo, velocidade inadequada em curva, não respeitar a prioridade em interseções ou cruzamentos, o mau estado dos pneus e as deficiências na estrada. Para tal, a velocidade adequada e a atenção permanente à condução são o melhor remédio para conduzir com a segurança adequada perante qualquer imprevisto.

Finalmente, com este vídeo da Fundación MAPFRE deixamos mais informação sobre a condução segura em motos:

Fotos | Dorsoduro, rubber bullets, ZHU GUOYONG on Unsplash
Fonte: Circula Seguro

--

Uma iniciativa da: