Travões de estacionamento elétrico: tipos, vantagens e desvantagens

Editor Temporal

16 August, 2020

Um dos sistemas de segurança ativa de um veículo é o sistema de travões, dispositvo encarregado de diminuir a velocidades, parar e imobilizar o veículo quando estacionado. A constante evolução deste dispositivo acabou por tornar este sistema muito sofisticado e evoluído.


Para conseguir deter o veículo, o condutor na sua ação de travagem, pisa do pedal de travão, gerando na bomba uma pressão do liquído hidráulico que atua sobre as pinças de travão e estas, por sua vez, encarregam-se de aproximar as pastilhas aos discos ou aos calços dos tambores, acabando por diminuir a velocidade do veículo e pará-lo por completo.

Para as manobras de estacionamento existe o travão de estacionamento manual, que pode ser acionado através de uma alavanca situada na consula central ou como na Mercedes-Benz ou no Toyota Prius, num pedal existente do lado esquerdo do conjunto de pedais normal.

Recentemente, o sistema de travão de mão manual deu um passo para o eletrónico, desaparecendo a alavanca ou o pedal, dando lugar a um botão que, ao ser acionado pelo condutor, faz com que um motor ou mais que um motor elétricos atuem sobre os travões, deixando esses motores ativados para manter o carro imobilizado.

É um sistema cada vez mais comum que traz para o condutor mais conforto na hora de travar o carro, e até o local ocupado pela alavanca do travão de mão é aproveitado para criar outros espaços para arrumos, passando a função de travão de mão a um só botão.

A gestão eletrónica deste sistema faz com que o veículo possa incorporar através do mesmo dispositivo, a ajuda para arrancar numa subida ou ainda um travão de emergência por causa de alguma avaria do circuito hidráulico. Existem dois tipos de acionamento do travão elétrico de estacionamento:

– Travão de estacionamento eletromecânico

É um sistema muito utilizado atualmente e carece de cabos de travão, que são substituídos por motores elétricos posicionados nas pinças dos travões traseiros. Pode ser ativado de forma manual, através de um botão, ou de forma automática, sendo esta última uma função que compensa o desgaste das pastilhas de travão.

O sistema gere uma unidade de controlo conectada com o ABS. A unidade de controlo é informada por sensores, como o do botão de estacionamento. Também se encarrega de alimentar eletricamente os motores das pinças de travão de acordo com as “ordens” que esta recebe.

Tem ainda em conta dados como a velocidade das rodas e a relação de caixa selecionada, “navegando” toda a informação através da rede multiplexada (Can-Bus). O sistema é constituído por um motor de corrente contínua alojado em cada pinça de travão, um conjunto de pinhões internos que cumpre a missão de redutores e eixos que se encarregam de movimentar o bombite de travagem.

Como funciona este sistema?

Ao acionar o travão de estacionamento, a unidade de controlo envia corrente elétrica com tensão da bateria o que faz com que o motor elétrico funcione. O pinhão condutor do motor elétrico transmite a rotação ao pinhão conduzido através de uma correia dentada, existindo uma relação de transmissão e uma redução de volta.

O pinhão conduzido transmite o movimento ao conjunto redutor e este, por sua vez, atua sobre o fuso interior, produzindo-se uma desmultiplicação tal que provoca a deslocalização linear do bombite, o qual exerce pressão sobre as pastilhas de travão, bloqueando, desta forma, as rodas.

De acordo com o sistema, podemos encontrar desmultiplicações de 1:150, o que significa que para que o fuso dê uma volta completa, o motor elétrico deverá dar 150. Neste sistema, se for necessário substituir as pastilhas de travão, é preciso uma máquina de diagnóstico para poder retroceder o fuso eletricamente e poder introduzir as pastilhas novas.
É preciso destacar que a ativação elétrica apenas se efetua sobre a “noz” de pressão e o bombite mantém-se na sua posição. Ao finalizar a substituição das pastilhas de travão, devemos aproximá-las e iniciar o sistema através da máquina de diagnóstico.

Travão de estacionamento por cabo

Este sistema é formado por um motor elétrico que é encarregue de colocar em tensão os cabos do travão de estacionamento. Pode ser acionado de forma manual através de um botão ou automaticamente a partir da unidade de controlo que está encarregue de o ativar, sempre que detetar que o veículo pare e pretenda imobilizar-se, que está estacionado ou que tenha a chave no contacto, no caso de não ser keyless.

Como é constituído e como funciona este sistema

O componente principal é o atuador ou motor elétrico que é comandado por um unidade eletrónica e está localizado no eixo traseiro e é hermético para evitar que possa ser manipulado e que apenas possa ser aberto para substituição dos cabos.

A unidade de controlo recebe sinais primários com origem direta no botão de acionamento e do sensor de binário. Os sinais secundários de informação de subidas da estrada ou de velocidade do veículo, recebe-as da rede de informação multiplexada (Can-Bus). Com estas informações, a unidade eletrónica ativa (com a corrente contínua da bateria) o motor elétrico e, a engrenagem redutora que esta no seu interior, multiplica o binário de força, puxando ou aliviando o cabo que o une a um eixo canelado.

Mas, afinal que vantagens tem o travão de estacionamento com acionamento elétrico?

Este tipo de dispositivo ocupa menos espaço no habitáculo ao não precisar de uma alavanca para o acionar e de permitir um design interior mais criativo e futurista.
Se nos esquecermos de ativar o travão de estacionamento, o sistema atua automaticamente assim que se desliga o motor. Assim ficará sempre travado quando sairmos do carro.
Se o motor estiver em funcionamento e pretendermos acionar o travão de estacionamento, basta carregar no botão e ficará travado.
Se o motor estiver em funcionamento e o travão de estacionamento elétrico estiver acionado, assim que engrenarmos a caixa e acelerarmos, o sistema destrava-se automaticamente.

Por outro lado, o sistema também tem alguns inconvenientes:

As avarias são mais complexas e mais dispendiosas, seja um sistema manual ou mecânico.
Se a bateria do veículo “berrar”, é preciso saber como atuar para desbloquear ou bloquear o sistema sem a bateria.
Se ficarmos sem travões, para o poder ativar, é preciso acionar várias vezes o botão de forma a que o veículo vá travando progressivamente.
O acionamento não é progressivo e não se pode regular como acontece com os travões de mão pode cabo que podem ser afinados.
É preciso um equipamento de diagnóstico para substituir as pastilhas de travão, uma vez que é preciso retrair os bombites de travão que são de acionamento elétrico.

Ricardo Carvalho

 

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