Como aumentar a potência de um motor de combustão?

Ines Carmo

30 October, 2020

Se não está satisfeito com a potência de série do seu carro, pode optar por aumentá-la. No entanto, não se esqueça de que dependendo do tipo de alteração que faça para o conseguir, terá de a homologar para circular e passar na inspeção e perderá a garantia, se a marca descobrir que o fez.

Potência: Atuando na eletrónica

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Chips de potência

É a forma mais barata… mas o melhor é não optar por esta. O que é? Trata-se de um pequeno chip que se insere na centralina eletrónica do motor e que altera a programação deste: injeção, turbo…

Como se ganha potência? A centralina é «enganada» de maneira a alterar a pressão de injeção combustível, a pressão do turbo – nos modelos que o têm – e, num turbodiesel, que são os que conseguem melhores resultados, é capaz de ganhar uns 20 cv em média. O consumo aumenta também em cerca de 5%.

É fiável? Não muito, estes chips costumam ter uma programação standard que não funcionam de forma igual e todos os motores, algo que pode provocar uma avaria no sistema de injeção, no turno, aquecimento do motor… já não se vende nem instalam… pelo menos, em oficinas sérias.

Reprogramação

É a mais cara… mas a melhor opção. O que é? Trata-se, literalmente, de ligar um computador à centralina do motor e, através de um programa informático, alterar o modo de funcionamento do motor – sistema de injeção, turbo… Como se ganha potência? Altera a centralina para variara a programação da injeção e do turbo do carro – se o tiver. Em média ganhará cerca de 30 cv, num motor com turbo, sem que o consumo varie demasiado.
É fiável? É o mais fiável, sempre que não sejam mais de 30 cv do que a origem e que não circule no limite durante mais de 15 minutos seguidos – o motor aqueceria – a não ser que melhore também o sistema de refrigeração, que custa uns 400 euros.

Centralina

Interessante, mas não tanto como uma reprogramação. O que é? Trata-se de uma centralina suplementar que se coloca antes da centralina eletrónica que o motor traz de série.
Como se ganha potência? A suplementar modifica os dados que chegam à centralina do carro e os que lhe são enviados pelos sensores. Assim, como a centralina tenta adaptar o motor às necessidades que lhe indicam os sensores em cada momento, aumenta-se a pressão ou o tempo de injeção, a sobrealimentação. Ganham-se uns 20 cv em média num motor turbo. O consumo mantem valores semelhantes. É fiável? Sim, sempre que seja de uma marca reconhecida e que corresponda com o modelo e versão do seu carro.

Potência: Atuando nos elementos mecânicos

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Injetores

É fiável, mas o consumo aumenta em média em 25%. O que é? Trata-se de trocar os injetores – elementos que introduzem o combustível nos cilindros – por outros de maior caudal. Como se ganha potência? Os injetores têm uns buracos por onde injetam o combustível. Se os trocarmos por outros com uns orifícios maiores, consegue-se que chegue mais combustível aos cilindros, sem ter de aumentar o tempo de injeção – quanto mais tempo esteja aberto, mais combustível entra, este é um dos segredos das modificações eletrónicas. Pode ganhar uns 15 cv, mas o consumo aumenta demasiado.

É fiável? Sim, muito. Ao aumentar a quantidade de combustível injetado, consegue que o rendimento melhore se que o motor tenha de sofrer um aumento de temperatura, que é algo que acontece se aumentar o tempo de injeção.

Coletores

É uma opção fiável, apesar de cara e com pouco resultado. O que é? Trata-se de modificar o tamanho e o desenho das condutas que levam o ar aos cilindros – a admissão – ou que evacuam os gases de escape. Como se ganha potência? Por dois motivos: melhora-se o «encher» dos cilindros – assim a combustão é mais eficiente – e facilita-se a saída dos gases de escape. Com tudo, consegue-se que o motor «respire melhor». Ganhará, quanto muito, uns 10 cv em qualquer tipo de motor, sem afetar apenas o consumo. É fiável? Sim, mas deve ter em conta que uma boa alteração lhe irá custar uns 1500€ e exigirá homologá-la. Perderá a garantia oficial.

Turbo

Uma alteração muito radical, efetiva, mas também a mais cara. O que é? Trata-se de um kit que substitui o turbo original por um maior, incluindo tudo o que o rodeia (coletores, intercooler). Como se ganha potência? A pressão que o turbo novo pode gerar é muito superior. Assim é possível aumentar cerca de 90 cv a potência do carro, o que irá fazer o consumo subir em 20%.
É fiável? Sim, o kit inclui melhorias no sistema de lubrificação e de refrigeração, pelo que não deverá ter qualquer problema. Ainda assim, as melhores marcas – como a BB Automobiletechnik – oferecem uma recomendável extensão de garantia de três anos por cerca de 300 euros.

Refrigeração

Apenas lhe permite ganhar alguns cv, mas evitará avarias. O que é? Trata-se de substituir o sistema de refrigeração – e, por vezes, o de lubrificação – por um de maiores dimensões. Também se pode substituir o intercooler – refresca o ar que chega ao turbo, algo que melhora o seu rendimento e aumenta a potência.

Como se ganha potência? No caso da refrigeração e da lubrificação não ganha cv… mas o motor não aquecerá tanto e terá uma melhor lubrificação, algo muito importante para que a fiabilidade não seja afetada se fizer qualquer outra destas operações que aparecem neste texto. Só ganhará potência – uns 15 cv – se substituir o intercooler por um maior, uns 500€.
É fiável? Claro, de facto, melhora a fiabilidade, sempre que seja uma alteração realizada por um especialista.

E o resto?

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Legalização: em princípio, devem-se legalizar todas as alterações que se façam num carro. Ainda assim, é difícil que alguém detete estas modificações, sobretudo as eletrónicas. As mecânicas, por vezes já vêm homologadas, basta perguntar.

Garantia: Enquanto a marca não detete que instalou alguma coisa que não foi homologado por eles, não haverá nenhum problema. Perderá a garantia no momento em que o detetem.

Inspeções: Como nos casos anteriores, enquanto não o descubram ou esteja homologado, não terá problemas. Só o chumbarão na inspeção se virem que modificou alguma coisa e que não esteja ainda homologado.

 

 

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