Você circula seguro graças a estes sistemas

Duarte Paulo

4 August, 2020

Os airbags são dos sistemas cruciais para quem circula seguro

Todos os veículos modernos possuem uma panóplia de sistemas que ajudam na segurança dos mesmos. Quer sejam sistemas que ajudam dinamicamente a controlar o veículo quer sejam passivos e ajudem a aumentar a segurança de quem viaja neles. Saiba mais sobre como circula seguro.

Segurança ativa ajuda a evitar acidentes

Comecemos pelos sistemas de apoio à dinâmica de condução, os chamados sistemas de segurança ativa. Um dos mais conhecidos e essenciais á segurança moderna chama-se ESP, é um acrónimo anglo-saxónico para “Electronic Stability Program”. Ou seja, programa eletrónico de estabilidade.

Este sistema corrige situações de excesso por parte do condutor, quer voluntárias quer involuntárias. Ao abordar uma curva com excesso de velocidade para as condições apresentadas o veículo pode ter um comportamento de subviragem ou de sobreviragem. A subviragem descreve as situações quando o veículo não consegue efetuar a curva e tende a sair de frente.

Neste caso o ESP aciona automaticamente o travão da roda traseira interior à curva, ajudando a que o veículo consiga rodar melhor sobre o seu próprio eixo. Nos casos opostos, ocorre o efeito de sobreviragem. Nestes casos o veículo tende a fugir de traseira devido a ter rodado demasiado sobre o seu próprio eixo.

Nessa situação o ESP aciona momentaneamente o travão da roda dianteira exterior à curva. Este sistema é autónomo e atua independente do condutor. A informação da sua atividade é reportada no painel de instrumentos acendendo uma luz indicadora.

Mais tecnologia para garantir que circula seguro

Para ser alguém que circula seguro é necessário iniciar a marcha em segurança. Um sistema muito útil, em especial para quem circula habitualmente em zonas onde tem de efetuar arranques em piso de fraca aderência, especialmente a subir, é o EDS. Outro acrónimo em inglês para “Electronic Dynamic System”, traduz-se em algo do género de sistema eletrónico dinâmico.

Basicamente é o controlo de antipatinagem no arranque. Este sistema deteta se uma roda está a rodar mais que a outra num arranque. Caso isto se verifique, aplica os travões nessa roda para a aderência ser restabelecida na outra roda motriz. Geralmente só funciona a baixas velocidades.

Outro sistema muito idêntico é o TCS “Traction Control System”, que traduz-se por sistema de controlo de tração. Algumas marcas usam o termo ASR, “Anti-Slip Regulation”, traduzido livremente dá algo como regulação anti-escorregamento… Este sistema funciona no mesmo problema do sistema anterior, mas fá-lo cortando o binário do motor, geralmente através de cortes rápidos da alimentação de combustível.

Já que estamos falando de binário e de controlo de tração, quando circulamos e reduzimos uma velocidade, caso a mesma seja feita de forma brusca, existe a possibilidade de as rodas bloquearem momentaneamente devido à variação brusca da rotações. Este aspeto é mais normal em desaceleração súbita sobre piso de fraca aderência, especialmente em estradas geladas.

O sistema MSR reconhece essa situação e aumenta momentaneamente o binário transmitido às rodas de modo a que a desaceleração seja mais suave e progressiva, reduzindo o risco de perda de tração. Na verdade, o que o sistema faz é acelerar ligeiramente e por breves instantes o motor de forma a que a diferença de rotação seja menos abrupta.

Os sistemas mais reconhecidos são os de travagem

O líder de sistemas de segurança rodoviária no reconhecimento pelo público em geral é o ABS “Anti-lock Braking System”, sistema anti bloqueio de travões. Este sistema é reconhecido como sendo dos mais úteis na salvaguarda do controlo das viaturas em situações complicadas e inesperadas.

O ABS é dos sistemas mais referenciados como aliado de quem circula seguro

Este sistema funciona evitando o bloquear das rodas durante uma travagem mais forte. Um sistema de controlo da rotação das rodas deteta quando uma delas para subitamente de rodar, aliviando a pressão do travão sobre essa roda permite que ela volte a girar, permitindo retomar o controlo do veículo por parte do condutor.

Convém relembrar que para o ABS funcionar bem é necessário aplicar força no pedal de forma convicta. Assim, nas travagens de emergência é essencial que o sistema de travagem disponibilize a máxima potência de forma rápida e constante. Para tal existe o sistema de assistência eletrónica à travagem. Este sistema apoia o esforço aplicado pelo condutor no pedal do travão.

Estudos demonstram que a força aplicada no pedal do travão pode não ser o constante o suficiente ao longo duma travagem de emergência. Quando este tipo de travagem e detetada este sistema aumenta a eficácia da travagem compensando o aliviar involuntário do pedal. Para ser alguém que circula seguro também é necessário parar em segurança.

Circula seguro com segurança passiva

Mesmo que um veículo seja excecional no campo da segurança ativa, com sistemas extremamente eficazes como os descritos acima, que tem como objetivo evitar que os acidentes ocorram, poderão surgir situações em que o acidente seja inevitável.

Nesses casos a preocupação passa por minorar os danos. Entenda-se os danos físicos no condutor e passageiros. As estruturas dos veículos são desenhadas de forma a obter uma proteção acrescida para os seus ocupantes, mesmo que seja às custas do próprio veículo.

Quando a escolha se coloca entre o veículo e uma vida humana não existe dúvidas, os veículos são passiveis de reparação ou em casos extremos são substituíveis, a vida não. Para conseguir fazer evoluir as estruturas das carrocerias dos veículos os engenheiros testam os carros em embates controlados, os chamados “crash-tests”.

Crash-test dummies “apanham” por nós

Para simular o comportamento dinâmico do corpo humano no interior dos veículos durante um embate usam “crash-test dummies”. Trata-se de bonecos com inúmeros sensores, sondas e outros aparelhos para medir as forças e impactos a que são sujeirtos, podendo perceber o que aconteceria caso fossem seres humanos a bordo do veículo.

A família dos “crash-test dummies” tem crescido com a necessidade de simular diferentes cenários

Como por lei, e por bom senso, todos devem ter o cinto colocado e apertado todos os outros elementos de segurança, em especial no habitáculo, partem desse pressuposto para tentar ajudar a minimizar ferimentos e lesões. Os seguintes elementos contribuem para a segurança passiva de um veículo e possibilitam ser efetivamente alguém que circula seguro:
Airbags (frontais, laterais, de cortina, de joelhos, de tornozelos…);
– Pré-tensores dos cintos de segurança;
– Carroçaria com estrutura de deformação programada, absorve a energia do embate protegendo o habitáculo e encaminhando as forças do impacto para longe deste;
– Barras protetoras nas portas, distribuem as forças de embates frontais pelo exterior do habitáculo e em embates laterais impedem que o habitáculo seja “invadido”;
– Coluna de direção retráctil, ajuda a amortecer o impacto do condutor neste;
– Encostos de cabeça reguláveis em altura, quando ajustados corretamente, ajudam a proteger o pescoço e a cabeça.

Em caso de acidente é impossível dizer qual deles o poderá salvar, pode ser o mais simples e aparentemente o menos importante a salvar-lhe a vida. Por exemplo o encosto de cabeça ajustado corretamente, em caso de embate pela traseira poderá salvá-lo, evitando de partir o pescoço pois apoiará a cabeça de forma adequada. Agora já sabe que você circula seguro graças a estes sistemas.

Fotos | Standinbrankkari,Tom Magliery, Aaron Brazell

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