Novos critérios Euro NCAP elevam padrão de segurança dos veículos

Duarte Paulo

25 August, 2020

A Euro NCAP aposta na tecnologia para reduzir os atropelamentos e acidentes com ciclistas

Estamos a avançar constantemente em direção à era de ouro da prevenção inteligente e da segurança passiva. As novas tecnologias de assistência à condução são responsáveis por isso em grande medida.

A tendência exige, sem dúvida, que os veículos estejam sujeitos a normas de segurança atualizadas e o programa Euro NCAP é o que trata destes aspetos no Velho Continente. Por isso, esta entidade aperfeiçoou os seus testes e aumentou os requisitos que os fabricantes têm de cumprir. Saiba o que mudou.

Não é em vão que a atualização dos protocolos Euro NCAP (European New Car Assessment Program) é efetuada a cada dois anos. As novas exigências vindas da União Europeia, como a introdução obrigatória dos sistemas de assistência ao condutor (conhecidos pela sigla ADAS), levaram o Instituto Europeu de Segurança a introduzir algumas alterações.

O objetivo é determinar de forma mais precisa em que medida podem proteger-nos e evitar a ocorrências de incidentes. Não podemos esquecer que, embora o conceito tecnológico seja comum, cada fabricante apresenta a sua solução, conforme a sua visão, por vezes de forma diferente e mesmo sob diferentes nomenclaturas.

O peso da variável dos sistemas ADAS na equação Euro NCAP implicará um maior esforço das construtoras de automóveis para melhorar a sua tecnologia e assim aspirar às cinco estrelas. Afinal, embora a segurança seja fundamental, essa classificação tem um forte apelo comercial que muitos proprietários levam em consideração ao comprar um carro. É inseparável da própria natureza da Euro NCAP.

Novos protocolos Euro NCAP evitam embates

As alterações dos protocolos Euro NCAP afetam diretamente o ADAS e referem-se às tecnologias capazes de evitar uma colisão com outro veículo, ou o atropelamento de um peão, ou ciclista. São sistemas que provavelmente conhecemos há anos. No entanto, nem todos os veículos os possuem. Além disso, nem todas as marcas desenvolveram os sistemas da mesma maneira.

Euro NCAP

Os crash-tests continuam um dos elementos chave na segurança automóvel

Assim, a atualização dos testes visa uma melhor classificação de quatro sistemas de assistência:

– Aqueles que evitam uma colisão veículo a veículo (AEB – Auto Emergency Braking car-to-car), sistemas percursores de sistemas de travagem autónoma de emergência;
– Aquelas que também evitam uma colisão entre veículos, mas provocadas pela saída de um dos veículos da sua via de transito. A tecnologia que ajuda na permanência na sua via desempenha um papel importante aqui;
– Sistemas de deteção de peões, testados desde 2016 pela Euro NCAP;
– Sistemas de deteção de ciclistas, introduzidos em 2018 nos testes da Euro NCAP.

Vendo a tendência atual nos acidentes com esses dois últimos utilizadores da estrada, não é surpreendente que muito desse endurecimento de critérios tenha a ver com isso. Na verdade, os testes relativos a peões também incluirão um novo protocolo para sistemas de alerta de travessia destes.

Prémio os melhores sistemas de deteção de fadiga e emergência após acidente

Mais dose tecnológica. Muitos veículos já possuem sistemas que detetam fadiga. No entanto, existem grandes diferenças entre eles. A chave está na tecnologia usada. Pois alguns modelos baseiam seu funcionamento na atitude do condutor ao volante (dependendo das manobras que realiza na estrada). Mas outros, os mais avançados, mesclam os dados dos sensores no volante e de camaras que alertam para o cansaço e fadiga devido ao gesticular e movimento especifico dos olhos do condutor.

O Euro NCAP destaca que oferecerá melhores pontuações para os mais avançados. O mesmo acontecerá com os fabricantes de automóveis que fornecem mais informações sobre o funcionamento do sistema de emergência após um acidente (eCall). A intenção é reforçar essa área, fundamental para atuar rapidamente e amenizar a gravidade dos sinistros. Por exemplo, a introdução de carros elétricos, que possuem diferentes cuidados em caso de incêndio, exige que novos critérios sejam avaliados.

Mudanças nos testes de impacto frontal e lateral

Nissan LEAF en Euro NCAP

Serão introduzidas alterações na análise dos impactos frontais e laterais efetuados pela Euro NCAP

As alterações nos protocolos Euro NCAP também afetarão alguns de seus testes mais característicos, como impacto frontal ou lateral. Isso ocorre porque estão em busca, não só de aprimorá-los, mas também de obter informações sobre dois aspetos.

O primeiro refere-se aos danos que um veículo que colide pode causar ao outro veículo. Isso será analisado pelo estudo do comportamento das estruturas frontais dos modelos. O segundo, um tanto mais inovador, tem a ver com a interação entre os dois ocupantes dianteiros e a eficácia do airbag em caso de colisão. Como um impacto lateral ou frontal afeta os dois passageiros? A estrutura e as características do habitáculo influenciam as lesões? Estas são questões que o Euro NCAP tentará especificar mais detalhadamente.

Esta série de mudanças trará um maior nível de exigências para os fabricantes e automóveis. E haverá outra consequência. A adaptação do Euro NCAP à corrida tecnológica para o ADAS e, por último, para a condução autónoma, significa que em futuras atualizações continuaremos a ver novidades relacionadas com os mesmos.

Não foi em vão que, nos últimos anos, o Euro NCAP tem insistido em questões como a diferenciação entre o carro com condução assistida e o autónomo. Alertando para os riscos do “piloto automático” na condução parcialmente autónoma. Tudo isso é uma peça essencial do quebra-cabeça que compõe a condução autónoma que se aproxima a passos largos.

Original | Jaime Ramos
Fotos |  Euro NCAP

--

Uma iniciativa da: