Viajar de autocarro é muito mais seguro que de carro

Duarte Paulo

17 November, 2020

O autocarro é mais seguro que um veículo ligeiro, descubra quantas vezes mais seguro.

Viajar de autocarro provou ser dos meios de transporte rodoviário mais seguros. Em Espanha, em 2019, nenhum passageiro de autocarro morreu devido a acidente rodoviário neste tipo de transporte. No final de agosto de 2020, o número de vítimas em Espanha permanecia em zero.

No país vizinho este foi o único tipo de veículo que atingiu a meta de zero mortes nas estradas. Trata-se dum marco que deve ser transferido para outras mobilidades e noutros países.

Visão Zero da União Europeia

A Iniciativa Visão Zero é um projeto de longo prazo focado na segurança no trânsito. O objetivo final é que em 2050 não ocorram mortes em nenhuma circunstância, uma realidade improvável sem o desenvolvimento de mobilidade autónoma avançada.

O objetivo intermediário era reduzir o número de mortes nas estradas em 50% entre 2011 e 2020. Em Portugal ocorreram diversos acidentes. Alguns foram a combinação de avaria mecânica com um terreno acidentado, outros resultaram simplesmente da imprudência do “elemento de carbono”.

Em alguns países, onde a Espanha é o melhor exemplo, foi possível reduzir a mortalidade consideravelmente. No entanto, os números são totalmente insuficientes. Diante do fracasso da comunidade de toda a União Europeia, essa meta intermediária foi adiada até 2030.

Parece improvável que se chegue a 2050 com zero mortes nas estradas. Pelo menos se a mobilidade for mantida da forma atual. Mas como já foi referido acima existe um meio de transporte que já atingiu o objetivo da Visão Zero, com mais de três décadas de antecedência, foi o transporte coletivo de passageiros, vulgo o autocarro…pelo menos em Espanha.

Segundo dados da Confederação Espanhola de Transporte Rodoviário (CONFEBUS) viajar de autocarro é até vinte vezes mais seguro do que de carro. Este número representa uma evolução positiva, pois em 2003 estava referenciado “apenas” como sendo dez vezes mais seguro.

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Atingir zero mortes no transporte coletivo de passageiros é a meta pretendida.

Por que é que o autocarro é tão seguro?

Muitos são os fatores que tornam o autocarro um meio de transporte seguro em comparação com outros tipos de mobilidade. A presença de tacógrafos, uma velocidade reduzida, passageiros na zona alta, profissionais ao volante ou medidas de segurança baseadas na tecnologia são algumas das mais notáveis.

Enquanto outros veículos, como carros ou motociclos, podem circular a 120 km/h em autoestrada. A velocidade máxima para os autocarro nesse tipo de vias é 100 km/h. Pode parecer uma diferença pequena, mas a verdade é que esses 20 km/h a menos ajudam para que, caso ocorra um acidente, este seja muito menos grave. O tacógrafo ajuda, pois garante que a existência de registo de eventuais exageros sejam um travão ao exagero.

Até algumas décadas atrás, os autocarros tinham dois calcanhares de Aquiles: a falta de cinto de segurança e a impossibilidade de preservar a própria forma, devido a uma estrutura frágil em caso de capotamento. Estes são dois problemas já resolvidos e que aumentam a segurança dos ocupantes mesmo em caso de colisão frontal ou capotamento.

Segurança do autocarro

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O posicionamento elevado, associado ao cinto, reduz a exposição dos passageiros nos embates frontais.

No autocarro, os passageiros estão localizados no topo. Enquanto a maior parte dos passageiros de outros meios de transporte estão localizados em baixa altitude (cerca de 50 centímetros), os do autocarro tendem a ser muito mais elevados. Principalmente em autocarro de longo curso. Nestes a parte inferior geralmente é ocupada por malas, pacotes e diverso tipo de bagagens, enquanto as pessoas viajam a mais de um metro e meio acima do solo. Isso reduz o risco de ferimentos graves numa colisão.

Outra das vantagens do autocarro, que é comum a outras formas de transporte coletivo, como o comboio ou o metro, é que quem está aos comandos é um profissional. Ele não conduz simplesmente, ele trabalha, e seu treino não só o torna consciente da responsabilidade, como também lhe dá ferramentas para evitar os perigos naturais da condução.

Justamente por serem veículos preparados para a mobilidade coletiva, e analisando a parte económica, torna os investimentos neles excecionalmente lucrativos. É por isso que podem dar-se ao luxo de terem muita tecnologia incorporada. Por exemplo, muitos possuem câmeras, sensores de ponto cego, alta conectividade ou sistemas táteis. Incluem ainda, alertas específicos como vibração do assento do condutor no caso de haver um ciclista por perto. Tudo isso resulta em mais segurança para todos.

Priorizar a mobilidade do autocarro

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A promoção desta forma de transporte será cada vez mais incentivada.

Até 2030 os países da União Europeia terão de reduzir significativamente as mortes nas estradas. Olhando para 2050, os acidentes serão algo que provocará estranheza, devido à sua baixa frequência. Estima-se que o veículo autónomo evitará o risco atribuído ao fator humano. No entanto, para que assim seja, ainda faltam muitos anos, talvez décadas.

Hoje, existem várias estratégias que podem ser seguidas a fim de reduzir a mortalidade nas estradas e cidades:

Reduzir a velocidade. As mortes diminuem significativamente à medida que a velocidade de uma área diminui. Continuando em Espanha, a cidade de Bilbao acaba de estabelecer o limite de 30 km/h em todo o município.

Priorizar a mobilidade do autocarro. Se os carros de passageiros são conhecidos por serem muito menos seguros do que autocarro, uma maneira de reduzir as fatalidades é uma mudança drástica na mobilidade. Isso é recomendado pelo relatório CIVITAS da União Europeia.

Criar zonas apenas para autocarro. As faixas de autocarro urbanos e os autocarros suburbanos foram um importante avanço no descongestionamento das cidades. Agora se cogita a possibilidade de fazer avenidas apenas para autocarro, transporte público e residentes, como existe em Córdoba.

Baseado no original de M. Martinez Euklidiadas
Fotos | iStock/CBCK-ChristineiStock/quintanillaiStock/edufotoiStock/dolgachov

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